|
|
O BEM E O
MAL
(1863)
Rui de Nelas, velho senhor solarengo da Beira Alta,
miguelista convicto, viúvo e pai de cinco filhas, é o
padrinho e benfeitor de dois filhos desvalidos dum seu
caseiro, o padre João Ferreira, e Peregrina, sua irmã. O
velho fidalgo tem ainda uma irmã, Eugénia de Nelas, com
quem cortara relações quando esta se apaixonara
desatinadamente por um alferes de cavalaria, Duarte
Bettencourt, de quem viria a ter secretamente um filho,
Casimiro Bettencourt. Entregue ao pai logo após o seu
nascimento, o jovem órfão não encontra quaisquer
documentos que lhe permitam identificar sua mãe.
Em atenção ao pai do mancebo, que morrera fiel à causa
miguelista, Rui de Nelas recebe em sua casa o
desamparado moço, sem saber de quem se trata. Porém,
quando se apercebe do idílio entre este e a sua filha
Cristina, expulsa-o de imediato. Após a fuga dos
namorados, ordena a sua perseguição, com instruções aos
criados para não pouparem o sedutor. A intervenção do
marido de Peregrina, que lhe traz notícias dos fugitivos
e intercede por eles, acalma um pouco o furor do
fidalgo. Mais tarde, enternecido pelo nascimento de uma
neta, Rui de Nelas decide apoiar a filha e o genro no
processo em que este é injustamente acusado de
homicídio. Após a absolvição de Casimiro, tem lugar um
comovente episódio de reconciliação familiar, durante a
qual é finalmente revelada a identidade da mãe de
Casimiro Bettencourt, que, desse modo, se toma herdeiro
da legítima materna.
(in Dicionário de Personagens da Novela Camiliana
[2002]. Coord. Maria de Lourdes A. Ferraz,
Editorial Caminho: Lisboa)
Publicado
por
Joaquim Matias da Silva
Voltar
|