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ANTERO DE QUENTAL

 

EVOLUÇÃO

                                                                      
Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
tronco ou ramo na incógnita floresta...
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo...

Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
Ou, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paul, glauco pascigo...
 


Hoje sou homem, e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade...

Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.

 

                                        Antero de Quental, Sonetos

GLOSSÁRIO:

V. 8 - limoso: com limo, lodo, lama (em sentido figurado: o que é baixo, imundo); V. 8 - paul: pântano, charco; V. 8 - glauco: verde-mar, esverdeado; V. 8 - pascigo: pasto, pastagem.

 

Comentário ao poema

 

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© Joaquim Matias 2012

 

 

 

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