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SIMBOLISMO

 

 

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O final do século XIX é marcado por uma atmosfera mental antipositivista, antinaturalista, antirracionalista, anticlássica, que defendia que a poesia deveria ser a expressão da verdade e da objetividade, num máximo de rigor e beleza formal.

O Simbolismo impõe-se, então, como um movimento artístico contra o Parnasianismo, tendo eclodido em França entre 1880 e 1890 e atingido a maturidade artística no fim do século. Há, pois, uma reação ao realismo, à busca da objetividade, ao domínio do mundo exterior.

Para os simbolistas o real não se limita ao material, mas abrange também o sentimento. A contemplação do exterior eleva o real à compreensão do transcendental. O poeta irá descobrir séries de sensações correspondentes entre as coisas e ligá-las-á à ideia principal que todas sugerem, embora sem a exprimirem com clareza. Criará, assim, um conjunto vocabular e musical próprio que será o símbolo. Tudo isto se baseia, na prática, em relações analógicas. O poeta, contudo, evitará pôr frente a frente os dois termos da analogia. O leitor, impressionado pelo símbolo, é que terá de encontrar um desses termos.

O símbolo assim criado é uma espécie de palavra nova, de frase nova, estranha ao léxico, mas com um grande poder sugestivo, quase mágico. Em vez de patentear um  encadeamento lógico ou discursivo, essa frase nova surge como representação vaga  e corpórea, significando à maneira dos mitos. O simbolismo torna-se desse modo um meio de comunicação com o mistério das coisas, com a sua realidade secreta, religiosa. É que a ciência dá uma visão demasiado Iimitada do universo, não vê no homem mais do que a parte sensitiva, a parte animal...

Corno radica no espiritualismo, o simbolismo provoca o ódio ao mundo tangível, o tédio, a desistência, o pessimismo, o refluir para o mundo interior, o afastamento do social, do quotidiano, afirmando-se, então, como um movimento antinaturalista, antirracional, anticlássico.

 

Em França, o simbolismo está representado por poetas como Rimbaud, Verlaine, Mallarmé, Baudelaire, Valéry, Gustavo Kahn... Verlaine, no poema Art Poétique, afirma que a poesia moderna deve traduzir a impressão, as sugestões, as meias tintas, as sensações ténues e fugidias, as inquietações, os sonhos. O verso deve ser acima de tudo música, uma harmonia de sons que faça sonhar ("de la musique avant toute chose").

 

Em Portugal, o Simbolismo está intimamente ligado ao Decadentismo, que já se encontra em embrião nos escritores da Geração de 70 e que não é mais do que o sentimento de uma civilização que se julga no ocaso, na decadência total. Este sentimento vai, naturalmente, provocar o tédio, o pessimismo, a fuga para o mundo da imaginação.

 

Os poetas portugueses cujos nomes andam associados ao Simbolismo são Eugénio de Castro (Oaristos) e Camilo Pessanha (Clepsidra). Os nossos simbolistas são essencialmente dominados por preocupações versificatórias e verbais, recorrendo ao verso nebuloso e musical e ao uso, por vezes exagerado,  de vocabulário erudito. Chamavam-se a si mesmo "nefelibatas", querendo com este vocábulo dizer que "andavam na lua".
 

Camilo Pessanha, que influenciou imenso a geração de Orpheu, é o poeta simbolista por excelência. Muito influenciado por Verlaine, Pessanha dá uma grande importância ao tratamento musical do verso. Os estados de alma são apenas insinuados, não se encontrando na sua obra (Clepsidra) nenhum elemento biográfico. Os seus versos são um constante desfilar de imagens-símbolos, de associações de sentimentos e sensações, numa atmosfera onírica.

 

Caraterísticas do Realismo / Parnasianismo

Caraterísticas do Simbolismo

- a objetividade.

- o racionalismo.

- a descoberta do Consciente.

 

 

 

- o gosto pelo concreto, pelo real.

- a paixão pela realidade social, tendo em vista a denúncia dos vícios que atingem essa realidade.

- o lirismo confessional.

 

- a claridade, o preciso.

 

 

- gosto por linhas, cores e contornos bem definidos.
 

-  impessoalidade e impassibilidade.
- recurso à comparação, a metáforas e a imagens nítidas.
 

 

 

 

 

 

- Verso de ritmo bem marcado e
medido.
- Gosto pela palavra precisa (para a expressão da realidade).
 

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As artes que melhor refletem o Realismo são a pintura (Cesário Verde, por exemplo, pinta quadros por palavras) e a  escultura.

 

- a subjetividade.

- o espiritualismo e a ânsia do absoluto.

- a descoberta do subconsciente e do inconsciente, a interioridade, o culto do sonho, da intuição, da fantasia, de tudo o que parece secreto.

- o gosto pelo vago, pelo indefinido.

- a paixão pelo fantástico, pelas fábulas, pelo ocultismo e pelo orientalismo bíblico, cheios de mistério.

 

- o repúdio do lirismo confessional,  a sugestão imprecisa do estado de alma.

- a preferência pela paisagem crepuscular e outoniça, fumada e melancólica, um pouco à maneira romântica.

- gosto pelas cores esbatidas, pelas manchas sem contornos, sugerindo mais do que dizendo.
- egotismo, mas sem o ritmo retórico dos românticos.

- recurso à alegoria, à imagem, às sinestesias inéditas e sugestivas, a símbolos e a imagens subjetivas (ineditismo de imagens), com valorização da sonoridade dos vocábulos, pelo recurso a aliterações e a rimas sucessivas, de modo a resultar do conjunto uma musicalidade que exprima a realidade das sensações.
- Verso fluido e sugestivo, precursor do verso livre do modernismo.
- Gosto pela palavra sugestiva, evocativa, rara (ao serviço da expressão do vago, do sugestivo, do misterioso).
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A arte que melhor reflete o Simbolismo é a Música, pela harmonia de sons que fazem sonhar, em consonância com o lema de Varlaine: "de la musique avant toute chose".


Bibliografia: Coelho, Jacinto do Prado, Dicionário de Literatura.

               Saraiva, A.J. e Lopes,Óscar, História da Literatura Portuguesa.

               Lopes, Tereza Coelho, Clepsidra de Camilo Pessanha.
                       Barreiros, António José, História da Literatura Portuguesa.

 

Publicado por

Joaquim Matias da Silva

 

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