Era ministro e par do Reino. Voltado para o
passado, tem lapsos de memória e revela uma
enorme falta de cultura. Não compreende, por
exemplo, a ironia sarcástica de João da Ega,
quando este o visa descaradamente nas suas
críticas políticas impiedosas. Representa, pois,
a incompetência do poder político
(principalmente dos altos cargos).
Fala de um modo depreciativo das mulheres.
Aliás, revelar-se-á,
mais tarde, um bruto com a
sua própria mulher, que mantinha um
affaire com Carlos...
Representante da alta política e do poder
instituído, da aliança forçada da política com a
economia, o seu casamento por conveniência com uma
pessoa rica – a condessa – é já sugestivo a este
respeito. Em Gouvarinho, encontramos as limitações
fundamentais dos políticos do constitucionalismo
regenerador: a retórica oca, as referências de terceira
categoria, a carência de visão histórica, a imodéstia
obtusa.
Obs: as
páginas indicadas referem-se à obra de Eça de Queirós,
Os Maias (Episódios da Vida Romântica), Edição
Livros do Brasil, de acordo com a primeira edição
(1888). Lisboa