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APARIÇÃO - Sequências narrativas por capítulos

 

(Página ainda em construção)

 

Capítulo

Intriga principal

Intriga secundária

I

 

Chegada de Alberto, um professor do Liceu, a Évora (Setembro).


Um moço de fretes, o Manuel Pateta, carrega-lhe a bagagem até à pensão do Sr. Machado.


Ao percorrer as ruas da cidade, Alberto sente-se ausente, triste e reflecte o seu estado de espírito na própria cidade.


O reitor do Liceu de Évora recebe Alberto Soares.
 

JMS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na pensão, estirado na cama, evoca os últimos acontecimentos: a morte do pai Álvaro (médico), de ataque cardíaco, ao jantar, num dia de Setembro (por alturas das vindimas) em que tinha a família toda reunida.

 

Referência ao irmão Tomás (lavrador, com um curso de Agronomia), Isaura e os seus muitos filhos.

 

Referência ao irmão Evaristo (várias reprovações no 5.º ano dos Liceus, correspondente ao actual 9.º ano de escolaridade) e à cunhada Júlia, que viviam na Covilhã, onde Evaristo era proprietário de uma fábrica.

 

Referência à mãe: Susana.

 

II

 

Alberto Soares, o narrador auto e homodiegético, dirige-se ao Liceu.
 

Explicação de como se tornou professor.
 

Chegada ao Liceu, onde foi recebido pelo reitor.

 

Evocação, através de um discurso valorativo, deste último.

 

 

O narrador-autor evoca a sua história acontecida há largos anos (analepse), no mesmo casarão onde tinha falecido o seu pai.
 

Conversa com o pai sobre as opções de curso a seguir.

 

JMS

 

 

III


O encontro com o Dr. Moura, um amigo e colega do pai, no Arcada (café de Évora) – ambiente do café no dia de feira.
 

O narrador-personagem trava conhecimento com Alfredo Cerqueira, o marido de Ana, uma das três filhas do Dr. Moura (as outras eram Sofia e Cristina).
 

Evocação de Sofia pelo narrador-autor.
 

Alberto vai jantar a casa do Dr. Moura, situada para as portas de Alconchel, onde conhece a sua família: a Madame Moura, Ana e Alfredo, Cristina e Sofia. Cristina era a filha mais nova do Dr. Moura. Tinha 7 anos e fora um rebento que viera “fora de tempo” (por isso, os amigos de Moura, quando se referiam à sua filha, perguntavam-lhe pela “neta”). Tocava bem piano e atraía inexoravelmente o nosso protagonista.
 

O narrador conhece Chico, um engenheiro que trabalhava na Direcção dos Monumentos e que criticava a mesquinhez e a ignorância que grassavam em Évora.
 

Informação de que o narrador é autor de 2 livros, já publicados.

Reflexão metafísica sobre a vida, a morte, a existência, Deus, a imortalidade, a propósito de um convite que lhe foi endereçado por Chico para orientar uma conferência na Harmonia.

 

 

Nova evocação do pai e da morte.
 

Preparativos para o enterro do pai.

JMS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

IV

 

Dissertação metafísica: o problema da existência – a vida / a morte.

 

JMS

 

 

 


 

 

 

Nova evocação da morte do pai e evocação da tia Dulce, a respeito da lembrança dos retratos constantes no álbum dessa tia-avó.
 

Referência ao Mondego, que foi morto pelo António.

 

V


O Dr. Alberto Soares começa a dar regularmente lições de Latim a Sofia.


Comentários desta personagem sobre a vida e a submissão das pessoas a essa mesma vida.
 

Menção aos repentismos e inconstância de Sofia.
 

Saída de Alberto com o pai de Sofia, o qual ia visitar uma doente (D. Alzira), moradora numa casa fidalga no descampado – falam sobre Sofia, da sua rebeldia, do seu internamento num colégio e das suas tentativas de suicídio.
 

Primeira referência à morte de Sofia, uma morte repentina (prolepse).
 

Episódio do Bailote, o homem cuja mão já não servia para semear, segundo opinião do patrão Arnaldo. O homem pede um remédio ao Dr. Moura, mas este não lhe dá grande atenção, até porque contra o envelhecimento natural nada podia fazer. De regresso da viagem a casa da doente, ao passarem pelo monte do semeador, o Dr. Moura e Alberto ficam a saber do seu enforcamento.

JMS

 

VI

 

O suicídio de Bailote é mais um pretexto para as cogitações de Alberto sobre a problemática da vida e da morte.
 

Encontro de Alberto com Chico, informando-o de que já tinha pensado no assunto da conferência que ia proferir na Harmonia.
 

Carolino, o “Bexiguinha”, um aluno de Alberto, também aparece na casa do Chico, seu primo, e toma parte nas meditações de Alberto sobre o ser humano.
 

Alberto e Carolino percorrem as ruas de Évora e falam sobre problemas existencialistas: o eu material e o eu espiritual, o eu e os outros seres (se eu fosse uma galinha, um cão – nova evocação do Mondego –, um gato), o eu e as palavras (o “mastigar as palavras”, no dizer de Carolino).
 

Ambos se separam na praça do Giraldo.

 

Novas evocações de episódios da infância, mormente o do ladrão e do espelho (Alberto, ainda criança, vê-se reflectido, à noite, no espelho e assusta-se, julgando tratar-se de um ladrão).

JMS


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VII

 

O Alfredo Cerqueira sabe e comenta ironicamente as cogitações de Alberto e de Carolino sobre as problemáticas do ser, do eu e dos outros.
 

As motivações naturais que suscitam a evocação do passado e as meditações de Alberto.
 

Divagação sobre a retórica.
 

Encontro de Alberto com Sofia (tinham começado as explicações de Latim) no escritório privativo desta – atracção mútua. Primeiros beijos.

JMS

 

VIII

 

Nas ruas, após o seu encontro com Sofia – seu estado de espírito (sai de casa da Sofia transtornado).
 

Fascinado ainda por Sofia, procura um novo encontro, voltando à casa dela.
 

Relação física entre ambos.
 

Madame Moura questiona-o sobre os progressos da filha em Latim.

JMS

 

IX

 

O mercado matinal no Largo da Igreja de S. Francisco.


Encontro com a Cristina e a criada Lucrécia, no Largo do Rossio.
 

Na casa de Alfredo, para se inteirar da saúde de Ana.


Diálogo com Ana, no decurso do qual se comenta o valor de um curso e do ensino em geral.
 

Ana interroga Alberto sobre o que existe efectivamente entre ele e Sofia.
 

Longa conversa com Ana (Aninhas): divagações metafísicas – Deus, a família e as suas (des)crenças.
 

Subitamente, Ana revela que a sua irmã Sofia já teve vários amantes.
 

Alfredo Cerqueira chega a casa com a notícia de que a família do Bailote vai processar o sogro, o Dr. Moura.
 

Jantar em casa de Ana, com Alfredo e Chico.
 

Referência a que “a morte é um muro sem portas”.
 

Pelas ruas da cidade – encontro com o Manuel Pateta, o bêbado.
 

Alberto começa a pensar em sair da pensão do Sr. Machado e pensa na casa do Alto.

JMS

 

X


O trabalho no Liceu – o professor principiante versus professor experiente.
 

Conversa com o reitor, no claustro do Liceu, seguida de nova divagação a propósito das redondilhas camonianas (“Sobolos rios que vão”). A música, sempre a música, o sol, o luar, a água, o espelho, a vidraça...
 

Conversa com o “Bexiguinha”, ao longo da via-férrea – definição de assassino (herói ou cobarde?).
 

A manada de vacas, o cão e a galinha morta pela pedrada do Carolino.

JMS
 

 

XI

 

 

Em gozo de férias (Natal), Alberto instala-se na sua casa da aldeia, pela primeira vez, após a morte do pai.
 

A casa está submersa em silêncio, habitada apenas pela mãe, que se encontra adoentada.


História do cão Mondego e da sua morte.

 

XII


 

 

  Tomás visita Alberto na sua solidão.

 

Caracterização dos sogros de Tomás, pais de Isaura: o Sr. Paulino e a D. Ermelinda.
 

Alberto e a mãe passam a ceia de Natal na casa da aldeia, sozinhos.
 

XIII

 

 

  Dia de Natal – Tomás e Alberto levam a mãe à missa. Enquanto esta assiste às cerimónias religiosas, Alberto conversa com o irmão sobre a felicidade, a vida e a morte.
 

Chegada a casa de Tomás, onde vão almoçar, sendo recebidos pelos seus seis filhos e por Isaura.

 

Distribuição dos presentes.
 

Tomás e Alberto retomam a conversa.

 

De tarde, imprevistamente, chegam Evaristo, Júlia e o miúdo.

 

Os três irmãos aproveitam para fazer as partilhas. A casa da aldeia ficará para Alberto. Evaristo cortou relações com os dois irmãos na sequência da partilha dos bens.

JMS

XIV

 

Findas as férias de Natal, Alberto regressa a Évora.
 

A pensão do Sr. Machado fechou e Alberto aloja-se na Eborense.
 

Alberto procura Sofia, mas não a encontra. Encontra, sim, Ana e Alfredo. Combinaram ir ao café Lusitânia, onde Sofia ficou de aparecer.
 

Sofia chega ao Lusitânia acompanhado de Chico e de Carolino. Alberto desconfia de uma relação secreta entre Sofia e Carolino.

 

O protagonista fala em alugar a Casa do Alto, para onde pretende ir viver dentro de 20 dias, depois de tirar a carta de condução.

JMS

 

XV

 

Uma carta anónima dá a conhecer ao reitor do Liceu que Alberto dá lições particulares a Sofia, duas vezes por semana. Conversa com o reitor. Suspensão das lições.
 

O professor vai a casa do Dr. Moura, onde é recebido pela Madame Moura. Ficamos a saber pela conversa entre ambos que agora é Carolino (que, entretanto, desistiu do Liceu e vai a exames como aluno externo) quem estuda com Sofia.


Alberto e a Madame Moura ouvem Cristina a tocar piano.
 

Recomeçam as aulas. Alberto tira a carta, compra um carro e aluga a Casa do Alto.
 

Sofia manda um bilhete a marcar encontro com Alberto no Museu. Vão dar uma volta de carro. Alberto sabe, pela boca da própria Sofia, que foi ela quem o denunciou ao reitor.

JMS

 

XVI


Alberto visita a quinta da Sobreira. Lá estão Ana (ficamos a saber que ela não pode ter filhos, depois de um parto falhado e de uma operação), Alfredo (filho único, herdeiro de uma interessante fortuna), Chico e Carolino.


Alfredo mostra as suas pocilgas e fala dos porcos (episódio do porquinho que teve de ser morto, porque a porca não tinha mama para ele e de um outro com o qual Alfredo pretende demonstrar a inteligência desses animais), para enorme aborrecimento de sua esposa Aninhas.
 

Carolino mostra-se hostil para com o professor.


JMS

 

XVII

 

Alberto muda-se, finalmente, para a Casa do Alto.
 

Reflexões sobre a solidão, o eu/os outros, a vida/a morte, a propósito de um velho álbum de retratos da tia Dulce.
 

Referências às visitas de Ana e de Sofia à Casa do Alto.
 

O álbum de retratos da tia Dulce (analepse).
 

Nova referência ao tempo da escrita e à sua mulher.

 

 

 

 

XVIII

 

CARNAVAL – MARÇO – PRIMAVERA (alegria e fecundidade).
 

Evocação de Cristina.
 

Alberto, Alfredo, Ana, Sofia, Cristina, Madame Moura e Chico vão a Redondo (terra do Carolino) assistir ao cortejo de Carnaval. Lancham em casa de Carolino.
 

De regresso a Évora, o jipe onde seguiam o Alfredo, Ana, Cristina e o Chico despista-se. Cristina fica ferida.
 

Alberto conduz Cristina ao hospital. Vai muito ferida no peito e na cabeça.
 

Sugestão da morte de Cristina.

JMS

 

XIX

 

Enterro de Cristina.
 

A família Moura ausenta-se de Évora.
 

Alberto vai a casa dos Cerqueiras para visitar Ana e a sua angústia. Porém, não encontra ninguém. E passaram-se os dias...
 

Numa noite de muita chuva aparece, subitamente, em casa de Alberto, o “Bexiguinha”. Vinha alterado. Após uma discussão, Carolino puxa por uma navalha, pronto a apunhalar o professor, mas este consegue dominá-lo.

JMS

 

XX

 

Alberto não é classificado nos concursos e é aconselhado pelo reitor a não permanecer em Évora, no próximo ano lectivo, dado o escândalo que o envolve com Sofia e Carolino.
 

Alberto encontra, finalmente, Alfredo que o informa do que se sucedeu à morte da Cristina, sobretudo do estado em que ficou Aninhas e da ida de Sofia para Lisboa, para uma casa de freiras, a ver se tirava a Admissão.
 

Um dia, para se proteger da chuva, Alberto refugia-se na Sé de Évora, onde, casualmente, encontra Ana a rezar, Ana que está agora muito mudada por tanto sentir a morte de Cristina. Diálogo entre ambos – constatação de que Ana viu a sua verdade, (re)descobriu-se, não renunciando a evidência, mas assumindo-a.

JMS

 

XXI

 

Num domingo de uma manhã de Abril, Chico bate à porta de Alberto. Vem responsabilizá-lo pela “mudança” da Ana, acusando-o de influenciá-la nefastamente e aconselhando-o, por isso mesmo, a não continuar em Évora.
 

 

XXII

 

Partida para as férias da PÁSCOA. Referência ao itinerário seguido, um pouco sem rumo certo. Cada um dos pontos desse itinerário (Lisboa –Sintra – Mafra – Torres Vedras – Praia da Areia Branca – S. Martinho – Nazaré – Leiria – Figueira – Aveiro – Porto – Praia de Âncora – Bravães – S. Pedro de Rates – Ferreira – Roriz – Amarante – Vila Real – Serra do Marão – sua aldeia) é motivo de reflexão por parte de Alberto.
 

 

Alberto passa uns dias com a mãe, na casa da aldeia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

XXIII


Regresso a Évora – breve referência ao mês de Maio.
 

Encontro com o Alfredo, no Banco, através de quem volta a ter notícias do grupo das pessoas de Évora, inclusive de Sofia, que já deixara Lisboa.
 

Entretanto, Ana e Alfredo mudaram-se para a herdade da “Bouça”, local que Alberto é convidado a visitar.
 

Alberto visita essa herdade – reflexão a propósito dos ceifeiros.
 

Encontra Ana, que adoptou os dois filhos mais novos do Bailote, recuperando assim a sua felicidade, e Sofia.
 

De regresso a Évora, dá boleia a Sofia. Esta quer ir à Casa do Alto – encontro amoroso entre ambos.
 

As visitas de Sofia à Casa do Alto sucedem-se até que ela deixa de aparecer e passa a tratar Alberto com indiferença, quando o encontra ocasionalmente.
 

 

XXIV

 

Reflexões a propósito da doença de Chico.

 

 

XXV

 

Noite de S. João.
 

Ana espera Sofia que não aparece e, em resposta a uma pergunta que faz a Alberto, este diz-lhe que a última vez que tinha visto Sofia estava ela com Carolino num banco secreto do jardim. Entretanto, recordando-se de um telefonema anónimo que recebera há dias, em que alguém dizia “Só você é responsável. Só você.”, Alberto procura Sofia, sem êxito. No dia seguinte, o seu corpo é encontrado. Sofia fora assassinada a punhal, junto do Chafariz de El-Rei.
 

 

 

Publicado por

Joaquim Matias da Silva

 

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