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TANTUM ERGO
Meu Deus: aqui, onde não chega o teu amor,
É tudo igual
Ao teu gesto de desprezo...
A Vida não tem sentido,
E o próprio sol que nos mandas
Nem regela nem aquece!
Nem a cor da tua força!
Parece!...
Tudo lembra
A inútil persistência
Dum rio a correr pró mar:
O mar nunca fica doce...
(Ah! se o teu amor viesse,
Outro tanto mar que fosse!...)
Assim,
Dizem que não vale a pena...
Apenas luto eu, por ser Poeta
E ser teu inimigo desde o berço.
Os outros,
Caídos pelos caminhos,
Nem são homens, nem são nada!
São apenas, cada um,
Aquela tua lastimosa ovelha
Tresmalhada...
(Miguel Torga - O Outro Livro de Job,
1936)
Publicado por
Joaquim Matias da Silva
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