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XVI
QUEM ME
DERA QUE A MINHA VIDA FOSSE UM CARRO DE BOIS
Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois
Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada.
E que para de onde veio volta depois
Quase à noitinha pela mesma estrada.
Eu não tinha que ter esperanças — tinha só que ter
rodas;
A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco...
Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas
E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco.
"O
Guardador de Rebanhos". In Poemas de Alberto Caeiro.
Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993.
1ª publ. in Athena, nº 4. Lisboa: Jan. 1925)
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