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XVIII

 

QUEM ME DERA QUE EU FOSSE O PÓ DA ESTRADA

 


Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando.

Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...

Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...

Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse...

Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena...

 

 

"O Guardador de Rebanhos". In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993. 1ª publ. in Athena, nº 4. Lisboa: Jan. 1925)

 

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© Joaquim Matias  2008