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Fernando Pessoa

 

PREFIRO ROSAS, MEU AMOR, À PÁTRIA

 

Prefiro rosas, meu amor, à pátria,  
E antes magnólias amo 
Que a glória e a virtude.  

Logo que a vida me não canse, deixo 
Que a vida por mim passe 
Logo que eu fique o mesmo.  

Que importa àquele a quem já nada importa 
Que um perca e outro vença,  
Se a aurora raia sempre,  

Se cada ano com a primavera 
As folhas aparecem 
E com o Outono cessam?  

E o resto, as outras coisas que os humanos 
Acrescentam à vida,  
Que me aumentam na alma?  

Nada, salvo o desejo de indiferença 
E a confiança mole 
Na hora fugitiva.  

 

Odes de Ricardo Reis. Fernando Pessoa. (Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (imp.1994).

 

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© Joaquim Matias  2009

 

 

 

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