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Quarto: ANTEMANHÃ (8-7-1933)
ANTEMANHÃ
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O
mostrengo que está no fim do mar
Veio das trevas a procurar
A madrugada do novo dia,
Do novo dia sem acabar;
E disse: «Quem é que dorme a lembrar
Que desvendou o Segundo Mundo,
Nem o Terceiro quer desvendar?»
E o som na treva de ele rodar
Faz mau o sono, triste o sonhar,
Rodou e foi-se o mostrengo servo
Que seu senhor veio aqui buscar.
Que veio aqui seu senhor chamar -
Chamar Aquele que está dormindo
E foi outrora Senhor do Mar. |
Mensagem. Fernando Pessoa. Lisboa: Parceria António Maria
Pereira, 1934 (Lisboa: Ática, 10ª ed., 1972).
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