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MEMORIAL DO CONVENTO - Sequências narrativas

 

Capítulo

SEQUÊNCIAS NARRATIVAS Págs.

XIII

 

* Baltasar e Blimunda desmancham a passarola, que tinha sido deixada ao abandono e que estava, por isso, arruinada, e preparam tudo para recomeçarem com a sua reconstrução, enquanto o padre não chega. (página 147)

 

* Chegada do padre, que, depois de saber que Blimunda recolheu apenas cerca de trinta vontades, diz que serão necessárias, pelo menos, duas mil para a passarola voar (página 149).

 

* O  padre  informa  Blimunda  que  a  melhor  altura  para  proceder  à recolha vontades é durante as procissões, "porque as procissões (...) são ocasiões em que as almas e os corpos se debilitam" e não nas touradas ou nos autos-de-fé, porque "há neles e nelas um furor que torna mais fechadas as nuvens fechadas que as vontades, são mais fechadas

 "Nem vontade, nem alma", quadro de José Santa-Bárbara (2001).

e mais negras, é como na guerra, treva geral no interior dos homens" (página 150).

 

* O Padre Bartolomeu Lourenço regressa aos estudos, em Coimbra, enquanto o casal continua a construir a máquina de voar. É, aliás, por obter o título de doutor em cânones que o padre vai tomar o apelido de Gusmão.

 

* Trabalho de Baltasar e Blimunda na máquina, durante o Inverno e a Primavera, sob a orientação do padre que, por vezes, vinha de Coimbra com esferas de âmbar amarelo, que guardava numa arca: "sempre que puder aqui virei, mas a obra só pode adiantar-se com o trabalho de ambos"  (página 151).

 

* Na fase da lua nova, Blimunda perde a sua capacidade visionária, deixando de poder recolher vontades, para tristeza da trindade construtora da passarola, porque os preparativos para a procissão do corpo de Deus já arrancaram (página 153).

 

* Sai a procissão do Corpo de Deus - 8 de Junho de 1719. Recorrendo a uma prolepse, o narrador, a propósito dos capelães que levam molhos de cravos nas pontas das varas, refere-se a esses mesmos cravos que um dia mais tarde serão colocadas nos canos das espingardas, assumindo o papel de símbolos da revolução de Abril de 1974 (página 161). 

 

* Durante a procissão, o patriarca é acometido por pensamentos pouco edificantes, libidinosos (página 162), o mesmo acontecendo com o rei, cuja devassidão com as monjas do convento, mormente a madre Paula de Odivelas, vem ao de cima (página 163).

 

* Só no dia seguinte à saída da procissão Blimunda recuperará o seu poder: "Amanhã Blimunda terá os seus olhos, hoje é dia de cegueira" - prolepse (página 164).

JMS

 

 

147-164

 

Escrito e publicado por

Joaquim Matias da Silva

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© Joaquim Matias 2008/2014

 

 

 

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