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IV |
* Baltasar Mateus, o
Sete-Sóis, 26 anos, natural de Mafra, regressa a Lisboa, por ter sido "mandado
embora do exército por já não ter serventia
nele, depois de lhe cortarem a mão esquerda pelo
nó do pulso, estraçalhada por uma bala em frente
de Jerez de los Caballeros" (pág. 35), em
Espanha, durante as campanhas da Guerra da
Sucessão de Espanha.
* Estada em Évora, onde
pede esmola para pagar ao ferreiro e ao seleiro
um gancho de ferro e poder substituir, através
desse artefacto, a
mão.
* Percurso até Lisboa,
passando por Montemor, por Pegões (local onde mata
um dos dois assaltantes que o queriam roubar) e
por Aldegalega (onde dorme debaixo de uma carro de
bois), chegando, finalmente, à capital, depois de
embarcar da outra margem.

* Em Lisboa, Baltasar vive
necessidades e fica indeciso se há-de regressar
a Mafra ou dirigir-se ao Terreiro do Paço e
pedir dinheiro pela mutilação na guerra.
* Através de uma prolepse,
ficamos a saber que Baltasar trabalhará num
açougue, perto do Terreiro do Paço (página 42).
* Ao percorrer a cidade, Baltasar Sete-Sóis
trava amizade com João Elvas, "outro antigo
soldado", agora um rufia, com quem partilhará a
dormida debaixo de um telheiro.
* Juntos, confirmam a
violência e a criminalidade que grassam em
Lisboa (irónica e curiosamente contadas por
ex-presidiários), sendo as mulheres e os
desprotegidos as suas maiores vítimas – "Isto
é terra de muito crime, morre-se mais que na
guerra" (pág. 45).
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