De origem austríaca, a
rainha, surge como uma mulher cuja única missão
é dar herdeiros ao rei para glória do reino e
alegria de todos. É símbolo do papel da mulher
da época: passiva, insatisfeita, submissa,
simples procriadora, objecto da vontade
masculina., vive um casamento baseado na
aparência, na sexualidade reprimida e num falso
código ético, moral e religioso.
Só através do sonho se liberta da
sua condição aristocrática para assumir a sua
feminilidade. Mas a pecaminosa atracção incestuosa que
sente por D. Francisco, seu cunhado, conduzem-na a uma
busca constante de redenção através da oração e da
confissão. Consciente da virilidade e da infidelidade do
marido, não se nota nela um pingo de revolta; pelo
contrário, embrenha-se numa atitude de infelicidade
existencial.
Ver págs. 11, 17-18, 32-33,
118-119, de Memorial do Convento, 36.ª ed., 2005.
Joaquim Matias da Silva
Saiba,
aqui,
quem foi, na verdade, D. Maria Ana Josefa.