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 D. PEDRO, REGENTE DE PORTUGAL

 

Filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, foi regente do reino entre 1439 e 1446, durante a menoridade de D. Afonso V, seu sobrinho.

Participou na conquista de Ceuta e recebeu os títulos de duque de Coimbra e senhor de Montemor e de Aveiro.

 

De 1424 a 1428 viajou pela Europa, visitando Inglaterra, França, Flandres, Alemanha, Hungria, Áustria, Itália e Espanha, o que lhe valeu ser conhecido como o Infante das Sete Partidas. Durante essa viagem, tomou parte na guerra contra os turcos e hussitas da Boémia, estabeleceu contactos diplomáticos, inteirou-se dos problemas económicos e políticos da Europa de então, procurando desta forma alargar os seus conhecimentos, que viria a aplicar na política portuguesa durante a sua regência.

 

Casou-se em 1429 com D. Isabel de Urgel, filha de Jaime II, da Casa de Aragão, fixando-se então em Coimbra. Assumiu a regência do reino por morte de D. Duarte, contra a vontade de alguns nobres, até que D. Afonso, o herdeiro da Coroa, atingisse a maioridade. Procurou então centralizar o poder, reprimir determinados privilégios da nobreza, promover a instrução do clero, reformar a universidade, consolidar a reforma administrativa, através das Ordenações Afonsinas (1446), salvaguardar as finanças régias e, sobretudo, fomentar a expansão marítima e comercial do reino, apoiando decisivamente as iniciativas de seu irmão mais novo, o infante D. Henrique. Assim, concedeu-lhe, em 1443, o exclusivo da navegação para sul do Bojador e, em 1444, os direitos sobre as mercadorias que entrassem no reino vindas da costa africana. Mostrar-se-ia, contudo, sempre avesso à expansão no norte de África. D. Pedro empenhou-se também no povoamento dos arquipélagos atlânticos da Madeira e dos Açores, efectuado com colonos idos da metrópole.

 

Em 1446, entregou o poder a D. Afonso V, permanecendo a seu lado para o auxiliar no governo do reino. Contudo, uma série de intrigas da nobreza acabou por afastá-lo da corte, retirando-se para Coimbra (1448). Na sequência de acusações graves, o rei ordenou-lhe que entregasse as suas armas, D. Pedro recusou-se, e saiu de Coimbra com os seus homens, disposto a exigir justiça ao soberano. Os exércitos de ambos encontraram-se próximo da ribeira de Alfarrobeira, acabando D. Pedro por falecer nesta batalha, a 20 de Maio de 1449. Foi sepultado no mosteiro da Batalha.

 

De salientar a composição do tratado Virtuosa Benfeitoria, da sua autoria, bem como a tradução do latim de numerosas obras e tratados de Cícero e Séneca.


(in História Universal de Portugal, Texto Editora)

 

Publicado por

Joaquim Matias da Silva

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© Joaquim Matias  2008

 

 

 

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