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Na 1.ª Parte da Mensagem

Referem-se mitos e
figuras históricas de Portugal até D. Sebastião, que são identificados com
elementos da heráldica, presentes no brasão português: Os Campos, Os Castelos,
As Quinas, A Coroa e O Timbre. São personagens que, pelo seu poder (físico ou
intelectual) e pelo seu sacrifício, ajudaram na formação, consolidação e
expansão da pátria. A imagem de Portugal que se pretende transmitir é a de uma
nação erguida à custa do esforço abnegado de muitos heróis, que muitas vezes não
agiram pelo seu próprio expediente, mas instigados por forças sobrenaturais, um
Portugal predestinado a grandes feitos, que tem como "cabeça de grifo" o Infante
D. Henrique e como "asas do grifo" D. João II e Afonso de Albuquerque,
precisamente as três personagens mais determinantes na formação, na consumação e
na consolidação do Império.
Pela sua
importância e simbologia, destacaremos, nesta primeira parte da Mensagem, os
sete castelos – repare-se que o número sete é, em si mesmo, simbólico.
Representa a totalidade, a união, exactamente aquilo que F. Pessoa ambicionava,
não só para si, mas também para o país. Assim:

O 1º castelo –
Ulisses – Representa o MITO, oriundo de um dos quatro grandes impérios - a
Grécia. Pessoa, ao escolher esta figura, pretende demonstrar a origem divina,
mítica, de Portugal, um país predestinado, por isso, a grandes feitos.
O 2º castelo –
Viriato – Representa a pré-história e a componente ibérica de Portugal. Como
fundador da Lusitânia, põe em evidência a raça lusa, elemento humano em que se
alicerça a formação de Portugal.
O 3º castelo, o
Conde D. Henrique, é uma figura pré-histórica em relação a Portugal. Oriundo da
França, é o herdeiro da Condado Portucalense, estando, consequentemente, na
origem da nação portuguesa.
O 4º castelo é
representado por D. Tareja que, com o seu marido, o conde D. Henrique, também
representa a pré-história, se nos situarmos em relação a Portugal. É oriunda de
Castela, herdeira do Condado Portucalense e mãe do futuro fundador da pátria.
O 5º Castelo é
simbolizado por D. Afonso Henriques, pois foi este que iniciou a história da
pátria lusa. Oriundo do Condado Portucalense, funda um reino e uma dinastia: o
reino de Portugal e a dinastia de Borgonha. Pessoa escolheu-o por ser o PAI da
nação.
O D. Dinis é o
sexto castelo. Foi escolhido por Pessoa, não propriamente pelos feitos por si
realizados, mas pela projecção que eles tiveram. Assim, representa os valores
espirituais, simbolizados pela criação dos Estudos Gerais de Lisboa, pela sua
faceta poética e por ser o semeador do pinhal de Leiria, que fornecerá a madeira
para as caravelas das Descobertas.
O sétimo castelo é
partilhado por duas figuras históricas. A primeira é D. João I. Foi ele o
garante da independência de Portugal, numa época de crise (1383-1385). Com a sua
mulher, D. Filipa de Lencastre (Castelo Sétimo II) deu origem à Ínclita Geração,
constituindo, deste modo, a totalidade existencial, que é Portugal.
Se os Castelos
referem figuras que estiveram na origem, formação e consolidação de Portugal
como país independente, as Quinas são referenciadas por personagens (D. Duarte,
D. Fernando, D. Pedro, D. João e D. Sebastião) que tiveram que sofrer para que
esse objectivo fosse atingido. Entretanto, no Timbre surgem-nos figuras que se
distinguiram na expansão da Pátria: O Infante D. Henrique, porque iniciou os
descobrimentos; o D. João II, porque deu novo impulso a esses feitos memoráveis
do povo lusitano; e Afonso de Albuquerque, porque foi ele que impôs, no Oriente,
o poder dos portugueses.
Em suma:
simbolicamente esta parte representa o nascimento de uma nação - O sonho - A
proposta dos portugueses ao mundo (formar um grande império).
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