Camilo Castelo Branco
Fernando Pessoa
José Saramago
Sttau Monteiro
Outros
Fernando Pessoa

 

AUTOPSICOGRAFIA (s. d.)

 

O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

 

Poesias. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995).
1ª Publicação in Presença, nº 36. Coimbra: Nov. 19
32.

 

 

Correr         Parar         Reiniciar

s

Publicado por

Joaquim Matias da Silva

Voltar

 

© Joaquim Matias 2009

 

 

 

 Páginas visitadas