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Fernando Pessoa

 

QUANDO JÁ NADA NOS RESTA

 

Quando já nada nos resta
É que o mudo sol é bom.
O silêncio da floresta
É de muitos sons sem som.

Basta a brisa p' ra sorriso.
Entardecer é quem esquece.
Dá nas folhas o impreciso,
E mais que o ramo estremece.

Ter tido esperança fala
Como quem conta a cantar.
Quando a floresta se cala
Fica a floresta a falar.
 

(Fernando Pessoa, Poesias Inéditas)

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© Joaquim Matias 2009