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Fernando Pessoa

 

RENEGO, LÁPIS PARTIDO


Renego, lápis partido,
Tudo quanto desejei.
E nem sonhei ser servido
Para onde nunca irei.

Pajem metido em farrapos
Da glória que outros tiveram,
Poderei amar os trapos
Por ser tudo que me deram.

E irei, príncipe mendigo,
Colher, com a boa gente,
Entre o ondular do trigo
A papoila inteligente.
 

(Fernando Pessoa, Poesias Inéditas, 12-04-1934)

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© Joaquim Matias 2009