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Camilo Castelo Branco

AMOR DE PERDIÇÃO - ESPAÇO FÍSICO OU GEOGRÁFICO

 

 

Quanto ao espaço físico ou geográfico, deveremos começar por dizer que  a descrição de lugares é quase inexistente. Apenas no Cap. X (pág. 143) e no Cap. XV (pág. 177) são feitas duas descrições paisagísticas mais  pormenorizadas. Na primeira, que se verifica pouco antes do assassinato de Baltasar Coutinho por Simão Botelho, nota-se uma dissonância entre o acordar alegre e colorido da Natureza e a angústia e escuridão que povoam  o espírito de Simão. Na segunda, o júbilo e o ar festivo da Natureza pletórica contrastam flagrantemente com  a tristeza e a pouca vontade de viver de um Simão encarcerado num catre de tábuas da cadeia da Relação do Porto.

Porquê tanta parcimónia descritiva? Porque  se trata de uma novela, em que ganha particular relevância a acção, ou seja, a sucessão rápida dos factos, em detrimento de todas as outras categorias da narrativa.

 

Os espaços geográficos ou as referências espaciais mais importantes que se relacionam com as duas personagens principais são os seguintes:

 

SIMÃO TERESA

Coimbra (cidade onde Simão estudou, onde foi um um boémio e um pequeno delinquente e onde se regenerou por amor)

 

Vista panorâmica de Coimbra.

Viseu (casa dos pais e cela do convento)

 

Viseu (casa dos pais e de João da Cruz)

 

Monchique (Porto) - cela do convento

 

Ruínas do antigo Convento de Monchique.

Cela da prisão (Porto)

 

Camilo na prisão (em pé).

Aguarela de Eugénio Silva

 

Beliche do navio

 

 

Deduz-se, após uma pequena análise do quadro acima apresentado, que há um afunilamento espacial, conforme a acção se vai aproximando do seu desfecho e se atinge o ponto mais alto da emoção dramática  (o beliche do navio e a cela conventual), acentuando-se, deste modo, o dramatismo da acção.

 

Mas há ainda uma outra conclusão que se pode extrair: embora a acção tenda para a união de Simão e Teresa (as exigências de um amor puro assim o impõem...), a verdade é que, paradoxalmente, e como que por fatalidade, ocorre um afastamento progressivo das mesmas personagens. Em contrapartida, Simão e Mariana estão cada vez mais próximos, até se chegar ao abraço final, um pouco macabro, diga-se, no meio das ondas.

 

Obs.: As páginas indicadas correspondem ao livro Amor de Perdição,

numa realização didática de Luís Amaro de Oliveira, 6.ª ed., Porto Editora: 1980

 

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© Joaquim Matias 2008

 

 

 

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