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Camilo Castelo Branco

AMOR DE PERDIÇÃO: NOVELA, NÃO ROMANCE


Já foi afirmado várias vezes que o Amor de Perdição é uma novela. Vejamos, pois, algumas diferenças entre ela e o romance.

 

No romance, tenta-se afrouxar a ação, combinar elementos heterogéneos, desenvolver e ligar episódios, criar centros de interesse diferentes, conduzir intrigas paralelas. O seu final é um momento de enfraquecimento, não de reforço. O ponto culminante da ação principal deve encontrar-se em qualquer lado antes do fim. É por isso que é natural que um fim inesperado seja um fenómeno muito raro no romance.

Na novela, pelo contrário, tudo tende para a conclusão, devendo os acontecimentos progredir com impetuosidade, tal qual como um projétil que é lançado de um avião, visando um determinado objetivo. A narrativa refere linearmente os momentos decisivos da ação, em detrimento da análise de carateres e ambientes e daqui decorrem várias e caraterísticas:


- As motivações das personagens não são analisadas na sua origem e desenvolvimento;


- As suas personalidades ficam incompletamente esboçadas;


- A economia da obra apoia-se, por vezes, em coincidências que lesam a verosimilhança;


- A importância do diálogo e a escassez de descrições (de figuras, de ambientes, de paisagens).

 

Numa imagem final bem sugestiva, comparar-se-á o romance a um rio que corre em direção ao mar, recebendo águas dos seus vários afluentes (histórias paralelas e/ou complementares) e ultrapassando quedas, que fazem com que o rtimo ora acelere ora seja mais calmo, até chegar tranquilamente à foz onde desagua. Por sua vez, a novela pode ilustrada simbolicamente pela escalada de uma colina, cuja finalidade é oferecer-nos a vista que, do cimo, se oferece, repentinamente,  ao nosso olhar extasiado.

 

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© Joaquim Matias 2008

 

 

 

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