AMOR DE PERDIÇÃO - AÇÃO
- RESUMO -
Domingos Botelho abandona Vila Real e vai fixar residência em Viseu, para onde fora nomeado corregedor. Leva consigo mulher e filhos. Dois deles, Manuel e Simão, estudam em Coimbra. Num palacete, separado de sua casa apenas por estreita viela, vive Tadeu de Albuquerque com sua filha Teresa, encantadora menina de 15 anos.
O corregedor e o fidalgo, por questões de tribunal, odeiam-se ferozmente e proíbem os respetivos filhos de falarem uns com os outros.
Simão, filho mais novo do corregedor, é um estudante boémio e de ideias progressistas. Depois de uma reclusão de meses no cárcere académico, em Coimbra, vem passar o resto do ano letivo na casa paterna.
Vê Teresa e apaixona-se por ela. Sabendo que os pais de ambos se opõem ao casamento, resolve mudar de vida, estudar e formar-se para ter dinheiro e poder constituir um lar, sem depender dos progenitores.
Tadeu de Albuquerque, a par dos amores da filha, deseja a todo o transe consorciá-la com o primo de Castro d'Aire, Baltasar Coutinho. Teresa resiste tenazmente e coloca Simão ao correr de tudo. Sabedor da situação, Simão abandona Coimbra e, para se encontrar com ela, livre de suspeitas, hospeda-se na casa do ferrador João da Cruz.
De acordo com Teresa, Simão abeira-se, em duas noites, do palacete onde ela mora, para lhe falar. Baltasar descobre estas visitas noturnas e faz uma espera a Simão. Este, que se fazia acompanhar de João da Cruz e do almocreve, é ferido por dois criados do fidalgo de Castro d'Aire, que pagam com a vida o atrevimento. O estudante recupera dos ferimentos em casa do João da Cruz, assistido por Mariana, filha do ferrador, que se apaixona por ele, embora soubesse que ele andava perdido de amores pela outra.
Teresa, entretanto, é encerrada num convento da cidade. Corresponde-se com Simão e diz-lhe que a vão afastar dali, internando-a no convento de Monchique, no Porto, e que fará a viagem acompanhada do primo Baltasar e irmãs. Simão fica desesperado com esta ocorrência. Na hora da partida, aproxima-se do grupo, trava-se de razões com Baltasar e mata-o com um tiro.
Teresa, abaladíssima por tudo o que acabara de acontecer, seguiu para Monchique. Simão foi encarcerado e Mariana, aflita, não o desampara, tornando-se o seu anjo bom no cárcere. Não obstante, Simão só vê no mundo uma mulher - Teresa. E Teresa, a definhar no convento, não pensa em outra coisa que não seja o amor de Simão.
O tempo decorre inexoravelmente e quase três anos se passaram com os dois amorosos detrás das grades: a filha de Tadeu de Albuquerque, por nada a prender ao mundo; e o filho do corregedor, aguardando sentença definitiva.
Simão é finalmente degredado para a Índia e Mariana, já sem pai, que entretanto fora morto pelo filho de Bento Machado, o recoveiro que tinha sido, por sua vez, assassinado por João da Cruz, dez anos antes (Cap. XVII, página 196) resolve acompanhá-lo. Entram ambos no navio em frente de Miragaia.
Num mirante do convento, está um vulto a acenar. Ë Teresa que se despede. Simão não retira os olhos dela. Mas, de repente, o vulto dela some-se. O comandante do navio, que veio mais tarde a terra, comunicou a morte da filha de Tadeu de Albuquerque àquele que tanto a amava. Simão não parou de chorar e não resistiu a tamanha dor. Durante sete dias o navio não pára de ser fustigado pelas tempestades, e Simão por uma febre maligna, até que ao nono dia, perto de Gibraltar morre, sendo lançado ao mar, envolto num sudário. Mariana, como uma estátua, num sofrimento atroz, está junto da amurada e, quando o cadáver de Simão mergulha nas águas, Mariana atira-se às águas gélidas. Uma onda atira o cadáver de Simão em direção a si e, então, a filha do ferrador João da Cruz abraça-se fatalmente a ele, desaparecendo para sempre. Um avental ficou a boiar e, junto dele, um maço de papéis: eram as cartas de Teresa e Simão.
Ao lado da ação principal descobrem-se duas curtas intrigas marginais: o bosquejo histórico da família Botelho (Cap. I) e os amores adúlteros de Manuel e de uma açoriana casada com um académico (cf. final do Cap. II e Cap. XVI).
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© Joaquim Matias 2008
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