Camilo Castelo Branco
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Camilo Castelo Branco

CAMILO CASTELO BRANCO

 

BREVE RESENHA  BIOGRÁFICA

 

VIDA TURBULENTA NO PORTO - Inconstância existencial e amorosa

 

1843

 

Demora-se cerca de sete meses em Lisboa, aproveitando o ensejo para entrar na posse da sua parte da herança paterna.

De novo no Porto, matricula-se na Academia Politécnica desta cidade, frequentando ao mesmo tempo aulas de Anatomia na Escola Médica do Porto e tenta o Curso de Medicina.

Em 25 de Agosto, nasce-lhe, em Friúme, uma filha do seu matrimónio com Joaquina - Rosa Pereira de França. 

 

Academia Politécnica do Porto. Fundada em 1837.

1845

 

 

 

Perde, por faltas, o 2º ano da Escola Médica.

Tenta, em Coimbra, os preparatórios do Curso de Direito, também sem êxito.

 

 

Escola Médico-Cirúrgica do Porto.

1846

Em circunstâncias pouco escorreitas, consegue entrar na posse do que restava da herança paterna. Mais desafogado, regressa a Vilarinho da Samardã. A esposa Joaquina Pereira ainda vivia. Camilo, contudo, ignorou-a. Os seus olhos lúbricos deixavam-se encantar agora por uma rapariga órfã, residente em Vila Real, Patrícia Emília de Barros. Para ela escreve, ensaia e faz representar o drama “Agostinho de Ceuta”, estreando-se assim como autor dramático. Com ela foge para o Porto. Contudo, João Pinto da Cunha, que entrementes legalizara a sua relação com D. Rita Emília da Veiga Castelo Branco, manda-os prender, alegando que Camilo lhe roubara 20.000 cruzados,  acusação de que mais tarde, e publicamente, se virá a retratar.  O que é certo é que, em 12 de Outubro, o romancista é preso no Porto por ter raptado Patrícia Emília de Barros. Durante onze longos dias (12 a 23 de Outubro de 1846), os dois amantes são reclusos na Cadeia da Relação do Porto.

A sua pena  de escritor ganha cada vez mais fôlego, surgindo os seus primeiros trabalhos jornalísticos no Periódico dos Pobres, no Porto, e n' O Nacional.

 

Patrícia Emília de Barros

1847

 

 

Antigas Ruas das Flores e de S. Jacinto, onde Camilo terá sido espancado pelo Olhos-de-Boi, um caceteiro às ordens do Governador Civil de Vila Real.

Emprega-se como amanuense no Governo Civil de Vila Real.

É perseguido pelo político José Cabral, entretanto nomeado Governador Civil de Vila Real, e por caceteiros à sua ordem, chegando a ser maltratado.

Em 25 de Setembro fica viúvo pela morte de Joaquina Pereira. Continua a viver maritalmente com Patrícia Emília de Barros.

 

1848

 

 

 

Morre a sua filha Rosa Pereira de França, com cinco anos de idade, e da sua ligação com Patrícia Emília nasce Bernardina Amélia.

1849

 

Encontramo-lo no Porto a trabalhar, quase por inteiro, no jornalismo, mas ainda com tempo para continuar uma vida de boémia e de escândalos (faz parte do grupo dos “Leões” do Café Guichard), tornando-se conhecido por sucessivas e inconstantes aventuras amorosas:

- intimidade com uma freira que conhece num dos outeiros  que frequenta;

- tentativa de suicídio sustada por amigos (Pinto de Magalhães e Manuel Negrão), por não poder conciliar a paixão simultânea por duas senhoras;

- vida em mancebia com uma  costureirinha numa casa dos arrabaldes da cidade;

-  duelo de desagravo com um dos filhos de Maria Browne (que se apaixonara pelo escritor).

Maria da Felicidade do Couto Browne foi uma das mulheres que se apaixonaram por Camilo.

1850

 

A

Conhece, num baile da Assembleia Portuense, aquela que viria a ser a sua “mulher fatal”, D. Ana Augusta Plácido, então noiva do conselheiro Manuel Pinheiro Alves, com quem se viria, aliás, a consorciar, em 28 de Setembro deste ano. Por causa desta senhora, sobrevém-lhe uma violenta crise sentimental. Para a debelar, lança mão de vários subterfúgios:

- Retira para Lisboa e aí se entrega a absorvente trabalho literário, inclusive à elaboração do livro Anátema, com que inicia a sua extraordinária caminhada de romancista;

- Tenta, à maneira romântica, uma experiência de natureza místico-espiritual, frequentando o Seminário do Porto (até 1852) e chegando mesmo a  requerer ordens sacras;    

- Desiste dessas ordens (1851) e volta a escrever febrilmente, publicando de afogadilho Mistérios de Lisboa (1854), Livro Negro do Padre Dinis (1855), Onde está a Felicidade? (1856), Um Homem de Brios (1856) e o seu nome figura no cabeçalho, ora como fundador, ora como director literário, ora como redactor de jornais e publicações vários: A Cruz, O Porto e A Carta, O Bico de Gaz, O Clamor Público, A Verdade, O Cristianismo.

- Pensa ir para o Brasil (1855);

- Isola-se  em S. João de Arga (Viana do Castelo), em 1856/57.

 

1853

 

Manda vir de Vila Real a filha Bernardina Amélia, que é entregue aos cuidados da freira de S. Bento de Avé Maria, Isabel Cândida Vaz Mourão.

 

 

 

Bernardina Amélia.

1856

 

 

 

 

Camilo é assolado pelos primeiros sintomas de cegueira.

 

 

 

 

 

Caricatura de Isolino Vaz - Jornadas Camilianas 1990.

1857

  

Começa a envolver-se em amores com Ana Plácido e fixa-se em Viana do Castelo para trabalhar no periódico A Aurora do Lima.

 

 

1858 

 

 Alexandre Herculano

Volta a encontrar Ana Plácido, no Bom Jesus do Monte.

Devido ao escândalo que a sua relação com Ana Plácido provoca nos meios portuenses, começa a sentir dificuldades em trabalhar nos jornais e, sem êxito, tenta obter o cargo de bibliotecário em Viana do Castelo e no Porto. Entretanto, é proposto por Herculano para sócio da Academia Real das Ciências.

 

1859

 

Em 11 de Agosto, nasce Manuel Plácido Pinheiro Alves, filho de D. Ana e, presumivelmente, de seu marido.

Instada veementemente pelo romancista, Ana Plácido ligou-se-lhe definitivamente, rompendo com o esposo e abandonando o lar, levando consigo o filho Manuel.

Ainda neste ano, Pinheiro Alves, numa tentativa de abafar o escândalo, impõe a D. Ana Plácido o recolhimento no Convento da Conceição, em Braga, mas passado cerca de um mês esta volta para Camilo, o que dá lugar a um processo-crime, instaurado por Pinheiro Alves aos adúlteros, que tinham, entretanto,  fixado residência em Lisboa. 

 

1860

 

 

Cadeia da Relação do Porto, actual Museu da Fotografia.

 

Perseguidos pela Justiça, os dois amantes andaram foragidos por terras do Norte, até que, em 26 de Março, D. Ana é pronunciada sem fiança, ocorrendo a pronúncia de Camilo em 5 de Maio.

A 6 de Junho, D. Ana entra na cadeia da Relação do Porto. Camilo vagabundeia, ainda fugido à justiça. Todavia, em 1 de Outubro,  entrega-se voluntariamente à prisão, também na Cadeia da Relação. Aí permaneceu o escritor um pouco mais de um ano, período durante o qual redigiu integral ou parcialmente as belíssimas obras Amor de Perdição, O Romance de um Homem Rico, O Morgado de Fafe em Lisboa e parte de Doze Casamentos Felizes.

1861

 

Em 15 e 16 de Outubro, decorre o julgamento, que termina com a absolvição dos dois amantes.

 

 

 

Camilo na prisão (em pé).

Aguarela de Eugénio Silva

1862

 

 

Lisboa: cidade onde nasceu Camilo e onde ele chegou a refugiar-se com Ana Plácido.

O casal passa a viver em Lisboa e a veia novelesca e romancista de Camilo continua fértil, dando ao prelo obras como: As Três Irmãs, Amor de Perdição, Memórias do Cárcere, Coisas Espantosas, Coração, Cabeça e Estômago e Estrelas Funestas.

1863

 

Em 28 de Junho nasce Jorge (Jorge Camilo Castelo Branco).

 

 

 

 

 

 

Camilo, Ana Plácido e Jorge

 

Publicado por

Joaquim Matias da Silva

 

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