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UM AUTO DE GIL VICENTE - Sequências dramáticas

 

O terceiro acto passa-se a bordo do Galeão Santa Catarina que levará a Infanta para Sabóia. D. Manuel vem despedir-se da sua filha e traz consigo Chatel, o  secretário italiano, que demonstra algumas desconfianças sobre a postura da Infanta. Por intermédio de Paula Vicente, Bernardim consegue visitar D. Beatriz a quem declara o seu amor.

 

Actos

SEQUÊNCIAS DRAMÁTICAS

III

 

As condições climatéricas são propícias à partida do galeão.

Essa partida desencadeia uma reflexão por parte do Conde de Vila Nova e de Garcia de Resende sobre a facilidade actual das navegações portuguesas, facto que leva Garcia de Resende a enaltecer o trabalho de D. João II pelo seu contributo para que os Descobrimentos tivessem sido possíveis. De forma muito significativa, ele diz que D. João II fez a sementeira e Dom Manuel I procedeu à colheita. (Cena I)

 

- Depois de uma longa conversa ("entrevista" - certamente a respeito dos seus amores e desamores), Dom Manuel  despede-se da filha, prometendo-lhe, no entanto, ainda ir vê-la ao Restelo. A propósito deste local, o rei aproveita para valorizar a construção que mandou fazer da Igreja de Nossa Senhora de Belém. (Cena II)

 

- Dona Beatriz e o Conde de Vila Nova combinam a hora de partida do galeão. Entretanto, Dona Beatriz pede-lhe para levar uma carta ao paço - sabe-se, mais tarde, que essa carta era dirigida a Paula Vicente, com quem Dona Beatriz queria encontrar-se para combinar um último encontro entre ela e Bernardim. (Cena III)

 

- Saint-Germain e Chatel ficam desconfiados relativamente à carta, prevendo ainda "grande tormenta antes de começar a viagem". (Cena IV)

 

- Dona Beatriz pede a Inês de Melo que lhe traga um livro que está dentro de um cofre e que ela lerá, enquanto repousa um pouco, antes da partida. (Cena V)

 

- O livro pedido é "Saudades", mais conhecido por "Menina e Moça", de Bernardim Ribeiro. (Cena VI)

 

- Chatel, desconfiado e coscuvilheiro, é descoberto a espiar Dona Beatriz, que o expulsa. (Cena VII)

 

- Afinal, ficamos a saber que os verdadeiros interesses de Chatel em descobrir os segredos de Dona Beatriz têm a ver com a possibilidade de, futuramente, poder vir a chantageá-la e, assim, fazer fortuna. (Cena VIII)

 

- Chatel tenta usar do galanteio e do charme para ver se descobre, através de Paula, algo que implique Dona Beatriz.

Apercebendo-se do engodo, Paula confessa a Chatel que, na verdade, quem fez de moura encantada, aquando da representação das Cortes de Júpiter foi um homem, um homem que a amava muito e por quem ela estava igualmente apaixonada, ilibando, deste modo, a princesa Dona Beatriz, alvo das suspeitas de Chatel e de Saint-Germain. (Cena IX)

 

- Paula leva Bernardim até Dona Beatriz, arriscando a sua vida, a sua fama e a sua honra, acentuando, paralelamente, o seu sofrimento, ao sacrificar o  amor que sente por Bernardim pela amizade que nutre pela Dona Beatriz. (Cena X)

 

- Discurso emocionado e de cariz romântico de Paula, no decurso do qual ela se pronuncia sobre os seus próprios amores e desamores e sobre os  de Dona Beatriz e de Bernardim Ribeiro - triângulo amoroso bem delineado nesta cena. (Cena XI)

 

- Dona Beatriz reitera, perante Paula, as suas agruras amorosas. Confessa-lhe também que o seu pai, o rei Dom Manuel, estava a par da sua paixão e que ela daria tudo para ter outro momento de prazer como o que tinha sentido, quando Bernardim lhe aparecera, insensatamente, no papel de Taes, a moura encantada. (Cena XII)

 

- Bernardim, que estava escondido e tinha ouvido as palavras apaixonadas de Dona Beatriz, aparece e diz-se ditoso por saber que Beatriz ainda o ama, suplicando-lhe apenas uma coisa: que o deixe morrer a seus pés.

Entrementes, o galeão começa a fazer manobras. Paula despede-se de Dona Beatriz e quando vai beijar a mão da princesa é afastada violentamente por Bernardim que, tresloucado, diz: "Beatriz é minha". Enquanto isso, chega o rei e tudo se precipita: Bernardim atira-se ao rio, Dona Beatriz desmaia e Paula, depois de ver Bernardim desaparecer nas águas, tenta desesperadamente acordar Dona Beatriz. (Cena XIII)

 

- Dom Manuel, (pres)sentindo a angústia da filha, reconhece que constrangera a sua vontade, tendo colaborado, deste modo, para a sua "morte". (Cena última)

 

 

Publicado por

Joaquim Matias da Silva

 

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