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As
condições climatéricas são propícias à partida
do galeão.
Essa
partida desencadeia uma reflexão por parte do
Conde de Vila Nova e de Garcia de Resende sobre
a facilidade actual das navegações portuguesas,
facto que leva Garcia de Resende a enaltecer o
trabalho de
D. João
II
pelo seu contributo para que os Descobrimentos
tivessem sido possíveis. De forma muito
significativa, ele diz que D. João II fez a
sementeira e Dom Manuel I procedeu à colheita.
(Cena I)
-
Depois de uma longa conversa ("entrevista" -
certamente a respeito dos seus amores e
desamores), Dom Manuel despede-se da
filha, prometendo-lhe, no entanto, ainda ir
vê-la ao Restelo. A propósito deste local, o rei
aproveita para valorizar a construção que mandou
fazer da
Igreja de Nossa Senhora de Belém.
(Cena II)
-
Dona Beatriz e o Conde de Vila Nova combinam a
hora de partida do galeão. Entretanto, Dona
Beatriz pede-lhe para levar uma carta ao paço -
sabe-se, mais tarde, que essa carta era dirigida
a Paula Vicente, com quem Dona Beatriz queria
encontrar-se para combinar um último encontro
entre ela e Bernardim.
(Cena III)
-
Saint-Germain e Chatel ficam
desconfiados relativamente à carta, prevendo
ainda "grande tormenta antes de começar a
viagem".
(Cena IV)
-
Dona Beatriz pede a Inês de Melo que lhe traga
um livro que está dentro de um cofre e que ela
lerá, enquanto repousa um pouco, antes da
partida.
(Cena V)
-
O
livro pedido é "Saudades", mais conhecido por
"Menina e Moça", de Bernardim Ribeiro.
(Cena VI)
-
Chatel, desconfiado e coscuvilheiro, é
descoberto a espiar Dona Beatriz, que o expulsa.
(Cena VII)
-
Afinal, ficamos a saber que os verdadeiros
interesses de Chatel em descobrir os segredos de
Dona Beatriz têm a ver com a possibilidade de,
futuramente, poder vir a chantageá-la e, assim,
fazer fortuna.
(Cena VIII)
-
Chatel tenta usar do galanteio e do charme para
ver se descobre, através de Paula, algo que
implique Dona Beatriz.
Apercebendo-se do engodo, Paula confessa a
Chatel que, na verdade, quem fez de moura
encantada, aquando da representação das
Cortes de Júpiter foi um homem, um homem que
a amava muito e por quem ela estava igualmente
apaixonada, ilibando, deste modo, a princesa
Dona Beatriz, alvo das suspeitas de Chatel e de
Saint-Germain.
(Cena IX)
-
Paula
leva Bernardim até Dona Beatriz, arriscando a
sua vida, a sua fama e a sua honra, acentuando,
paralelamente, o seu sofrimento, ao sacrificar o
amor que sente por Bernardim pela amizade que
nutre pela Dona Beatriz.
(Cena
X)
-
Discurso emocionado e de cariz romântico de
Paula, no decurso do qual ela se pronuncia sobre
os seus próprios amores e desamores e sobre os
de Dona Beatriz e de Bernardim Ribeiro -
triângulo amoroso bem delineado nesta cena.
(Cena XI)
-
Dona
Beatriz reitera, perante Paula, as suas agruras
amorosas. Confessa-lhe também que o seu pai, o
rei Dom Manuel, estava a par da sua paixão e que
ela daria tudo para ter outro momento de prazer
como o que tinha sentido, quando Bernardim lhe
aparecera, insensatamente, no papel de Taes, a
moura encantada.
(Cena XII)
-
Bernardim, que estava escondido e tinha ouvido
as palavras apaixonadas de Dona Beatriz, aparece
e diz-se ditoso por saber que Beatriz ainda o
ama, suplicando-lhe apenas uma coisa: que o
deixe morrer a seus pés.
Entrementes, o galeão começa a fazer manobras.
Paula despede-se de Dona Beatriz e quando vai
beijar a mão da princesa é afastada
violentamente por Bernardim que, tresloucado,
diz: "Beatriz é minha". Enquanto isso, chega o
rei e tudo se precipita: Bernardim atira-se ao
rio, Dona Beatriz desmaia e Paula, depois de ver
Bernardim desaparecer nas águas, tenta
desesperadamente acordar Dona Beatriz.
(Cena XIII)
- Dom
Manuel, (pres)sentindo a angústia da filha,
reconhece que constrangera a sua vontade, tendo
colaborado, deste modo, para a sua "morte".
(Cena última) |