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CARACTERÍSTICAS DO ROMANTISMO

 

 

* QUANTO AO TEMA:

- O EGOCENTRISMO (intimismo) e a melancolia
 

O homem romântico expande o que nele há de mais pessoal e íntimo, a começar pela sensibilidade e voos da fantasia e a acabar nos impulsos do subconsciente. O "eu" é o grande, o máximo ser real, sendo que o mundo externo terá apenas a realidade que nele projectar a inteligência e a imaginação da pessoa que o examina e o vê. Na génese desta atitude está, sem dúvida, a concepção do "eu', da filosofia idealista de Fichte e Schelling.

 

 

Ao contrário dos clássicos, amantes da claridade mediterrânica, o romântico prefere registar situações de dor e melancolia, e ambientes de nebulosidade nórdica, como o entardecer, o escurecer, a noite, as florestas sombrias, as cavernas, as ruínas, os agouros, as sombras, a morte...

- O choque com a realidade: PESSIMISMO e EVASÃO
 

O romântico idealiza o mundo, construindo-o no ar ou sobre castelos de areia. Quando baixa à terra, não encontra esse mundo. A Humanidade não o compreende; a Pátria, se necessário, desterra-o; a mulher ou não é um anjo ou atraiçoa-o. Que há-de fazer?

Deste choque brutal com a realidade provém o desengano, para o qual só existe uma solução: fugir. Uns fogem de terra em terra como Chateaubriand, Byron e Garrett; outros refugiam-se na Idade Média ou na paisagem exótica do Oriente, como Walter Scott, Herculano e Víctor Hugo; há os que fogem de fora para dentro, introvertendo-se, subjectivando tudo; alguns vão mais longe e suicidam-se, fugindo assim apressadamente para a eternidade, como Kleist, Nerval, Camilo, Antero, Trindade Coelho...

Também os heróis criados pelos autores românticos evadem-se no tempo e no espaço, refugiam-se no sonho e no fantástico, na orgia e na dissipação.

- O culto da Idade Média: o "HISTORICISMO"
 

O Romantismo deixou de ter admiração por tudo quanto era greco-latino e baniu de vez o uso da mitologia. A Idade Média, tempo admirável em que o povo ajudava os reis a criar nações, seduziu, com as suas narrações cheias de peripécias, os românticos.

 

Esta evasão para os tempos medievais proporcionou aos escritores o contacto com lugares, factos e tipos capazes de inspirarem a imaginação mais fria: castelos musgosos, lendas e tradições, cavaleiros, monges cruzados...

É claro que os temas da actualidade também não foram esquecidos, como bem o prova Almeida Garrett nas Viagens na Minha Terra.

 

 

Idade Média: a colheita



- O novo modo de ver a PAISAGEM
 

À idealização do "locus amoenus" prefere o romântico a descrição do "locus horrendus".

 

Despreza, por isso, o bucolismo de "ervas verdes" e águas cristalinas" e o entusiasmo vai-lhe todo para a paisagem agreste, exótica para a selva virgem, com a sua típica desordem, com as suas asperezas e impetuosidades, com as suas cataratas e rios caudalosos. A paisagem nocturna, sepulcral, luarenta, é a que melhor se adapta aos sentimentos melancólico dos autores. O poeta tem com esse tipo de paisagem uma espécie de contacto sensual que quase o leva ao êxtase.

- A preferência pelo HOMEM na sua realidade total

 

Ao contrário do homem clássico, que idealizava seres com todas as perfeições e sem quaisquer defeitos, o autor romântico não tem pejo em colocar ao lado de pessoas sãs os marginais, os fora-da-lei, os aleijões tanto morais como físicos: o ladrão, o pirata, o assassino, o traidor, o perjuro, o incestuoso, o adúltero, a prostituta, o sacrílego, o cego, o corcunda, o mutilado. 

Às vezes, não teme aliar a elevação de sentimentos à hediondez física (como acontece, por exemplo, nestas personagens muito conhecidas: o sineiro Quasimodo de Notre Dame de Paris, de Victor Hugo, e o jardineiro Belchior de A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães).

 

O jardineiro Belchior de

A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães


- A exaltação do que é NACIONAL e POPULAR
 

A cultura francesa do séc. XVIII tinha unificado espiritualmente a Europa. Napoleão Bonaparte tentou unificá-la politicamente. Como reacção, os escritores românticos procuram exaltar tudo quanto é nacional, tudo quanto é popular. E crêem que a alma dos nacionalismos europeus incarnou no povo da Idade Média e no povo se tem mantido inalterada. O popular e o folclórico adquirem, desta maneira, um grande prestígio junto da nova escola.


 

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* QUANTO AOS ASPECTOS FORMAIS:

 

- A independência criativa
 

O escritor romântico não admite a sujeição às normas férreas da estética clássica, que convertiam a arte num puro mecanismo. Pelo contrário, ele voa nas asas da imaginação dos seus sentimentos e instintos. Criará uma obra estritamente pessoal. Não aceita a divisão dos géneros clássicos. Com excepção do soneto, que conserva, inventa novos agrupamentos estróficos. Opõe-se tenazmente à imitação paradigmática dos escritores gregos e romanos.

Joaquim Matias da Silva

 

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