Foi escritor, cavaleiro e sacerdote português, tendo
nascido em Santarém em 1555 e falecido em Lisboa em
1632. Até professar na Ordem de S. Domingos, a 8 de
Setembro de 1614, chamou-se Manuel de Sousa Coutinho.
Bisneto do Conde de Marialva, foi nomeado cavaleiro da
Ordem de Malta por volta de 1572.
No decurso das campanhas militares em que participou
como cavaleiro dessa Ordem, chegou a estar cativo em
Argel e viajou pelo Oriente e pelas Américas. Entre os
anos de 1584 e 1586 casou com D. Madalena de Vilhena,
mulher de D. João de Portugal, que tinha desaparecido em
Alcácer Quibir.
Em 1600, já como capitão-mor de Almada, incendiou o seu
palácio, não permitindo assim que os governadores do
reino, fugindo à peste que grassava em Lisboa, nele se
alojassem.
Depois da morte de sua única filha, D. Ana de Noronha,
Manuel de Sousa Coutinho e sua esposa decidem abraçar a
vida religiosa, em 1613, ele no Convento de São
Domingos, em Benfica, e ela, no Convento do Sacramento.
Um biógrafo atribuiu esta decisão à notícia de que D.
João de Portugal se encontrava, afinal, vivo, tornando
ilegítima a união do casal, hipótese essa que foi
aproveitada por Garrett no seu célebre drama Frei
Luís de Sousa. Mas esta razão apontada por Garrett
carece de bases históricas.
Como era prática usual nas ordens religiosas, ambos
mudaram de nome ao ingressar na vida religiosa: ele
passou a ser conhecido por Frei Luís de Sousa e ela por
sóror Madalena das Chagas.
Como dominicano, Frei Luís de Sousa exerceu os cargos de
enfermeiro e de cronista da Ordem, tendo escrito, com o
material deixado por frei Luís das Cácegas, a Vida de
Frei Bartolomeu dos Mártires (1619), obra que se
insere na literatura hagiográfica e conventual da época
e que, a par de fornecer dados importantes sobre a vida
portuguesa no século XVII, se destacou da produção
contemporânea pelas suas qualidades literárias. Procurou
recriar, com inconfundível sabor, a vida quotidiana do
meio e do tempo em que se moveu, conferindo às
personalidades retratadas uma dimensão e uma vida
próprias.
Escreveu ainda a História de São Domingos, Particular
do Reino e Conquistas de Portugal, em 1623, 1662 e
1678, em três volumes, e Anais de D. João III,
obra publicada em 1846.
A vernaculidade do seu estilo em que a graça natural e
sóbria se alia à viveza do poder evocativo tornou Frei
Luís de Sousa um dos modelos da prosa portuguesa.