Estes
são os principais acontecimentos que consubstanciam a
trama de Frei Luís de Sousa:
Acto I:
Madalena lê versos de
Camões, mais concretamente o episódio da infeliz Inês de
Castro.
A convicção de Telmo,
que não quer acreditar no desaparecimento de D. João de
Portugal, e as suas frequentes confidências com Maria,
uma rapariga com uma curiosidade perspicaz e doentia,
perturbam Madalena que não vive nunca em paz com a sua
consciência. Aliás, Madalena, adoptando um tom mais
grave, insiste para com Telmo para que este nunca mais
refira a Maria factos que possam vir a alterar o seu
débil estado físico e emocional.
Os governadores
castelhanos resolvem instalar-se no palácio de D. Manuel
de Sousa, em Almada, para fugirem à peste que grassava
em Lisboa.
Manuel de Sousa,
impulsionado por um nobre patriotismo, decide lançar
fogo ao palácio, de forma a "iluminar a sua casa e a
receber condignamente os governadores", como
ironicamente diz.
Esse seu "acto
patriótico" reabrirá à família as portas do antigo
palácio de D. João de Portugal, desencadeando uma
angústia atroz em D. Madalena, pelas recordações que
certamente iriam ser despertadas.
Acto II:
Já instalada no Palácio
de D. João de Portugal (só muito a custo, e depois de
instâncias veementes e irrecusáveis de D. Manuel de
Sousa, é que Madalena aceitou, contrariada, essa mudança
de palácio) Madalena dorme,
finalmente, uma noite descansada. Entretanto, durante e após o
incêndio do Palácio, duas imagens tinham-se gravado
indelevelmente no seu espírito: o retrato do Marido a
arder e a visão do retrato de D. João de Portugal. A
destruição de um e a visão do outro pressagiam desgraça.
Madalena nunca conseguiu
libertar-se verdadeiramente do fantasma do primeiro
marido.
A ausência de D. Manuel
de Sousa, que vai a Lisboa, acompanhado de Maria, Telmo
e Doroteia, faz com que D. Madalena fique sozinha com o
cunhado, Frei Jorge. Tudo se propicia para o encontro
nefasto com o seu antigo marido...
Miranda chega com a
notícia de que um Romeiro quer encontrar-se com
Madalena.
O Romeiro é
recebido e dá-se a anagnórise (reconhecimento).
Acto III:
O reconhecimento deixa
prostrados D. Madalena, o marido e a filha.
O Romeiro tenta
ainda remediar o mal, mandando dizer pelo Telmo que não
passava de um embusteiro, um reles impostor.
Decisão inabalável de
Manuel de Sousa: entrará num convento, onde expiará as
suas culpas.
Ainda há uma tentativa
pouco convicta de Madalena, no sentido de demover o seu
amado da decisão tomada e salvar a sua família e o seu
amor.
Morte patética de Maria,
em palco.
Tomada de hábito por
parte de D. Madalena (contrariada) e de D. Manuel de
Sousa Coutinho.