A linguagem de Frei Luís
de Sousa é uma linguagem culta, correcta, clássica –
como convém a uma obra com características de tragédia
clássica e cujo acção nos remete para o século XVI
(época clássica) –, sempre ajustada às circunstâncias e
às personagens. Note-se a linguagem correcta e culta de
Madalena e de Manuel de Sousa Coutinho, personagens
nobres; a linguagem eivada de angústia e inquietação de
D. Madalena de Vilhena, em consonância com o seu estado
de espírito; a linguagem supersticiosa, mas sempre digna
e respeitosa, sem deixar de ser familiar, de Telmo, um
escudeiro que serve com toda a dedicação os seus amos,
mas que nutre um secreto desejo de ver aparecer o seu
velho senhor, D. João de Portugal; a linguagem nobre e
elegante de Manuel de Sousa Coutinho (ele mesmo um
escritor), didáctica, quando se dirige a Maria (actos II
e III), erudita, sempre que fala com Jorge (acto I) e um
pouco titubeante, aquando do seu descontrolo psicológico
no acto III; uma linguagem confessional, de tom
religioso e moralizante, por parte de Frei Jorge.
ESTILO
Nos momentos de maior
emotividade e dramatismo, Frei Luís de Sousa está
pejado de frases curtas, reticentes, exclamativas e
interrogativas. As repetições e as interjeições são
também uma constante, a espelhar a dificuldade das
personagens em traduzirem aquilo que lhes vai no mais
recôndito do seu ser.
Diálogos e monólogos, ainda
que marcados pelo tom elevado a que a posição social das
personagens conduz, são sempre acessíveis e mesmo quando
o estilo é grandiloquente, arrebatado, erudito (como
acontece com Manuel de Sousa Coutinho), ressumbra sempre
dele uma coloquialidade deveras notável. Os discursos de
Telmo, de Maria e Madalena exploram abundantemente os
subentendidos, os silêncios (por vezes longos) e as
hesitações, tornando-se, assim, variados, ricos, vivos,
sentidos e revestindo um tom declamatório, tão de acordo
com os processos românticos!
Quanto ao Romeiro, o seu
discurso é curto e incisivo, feito de mistérios e de
duplos sentidos.