Camilo Castelo Branco
Fernando Pessoa
José Saramago
Sttau Monteiro
Outros
Outros Autores
 

FREI LUÍS DE SOUSA -  Linguagem e estilo

 

LINGUAGEM

 

A linguagem de Frei Luís de Sousa é uma linguagem culta, correcta, clássica – como convém a uma obra com características de tragédia clássica e cujo acção nos remete para o século XVI (época clássica) –, sempre ajustada às circunstâncias e às personagens. Note-se a linguagem correcta e culta de Madalena e de Manuel de Sousa Coutinho, personagens nobres; a linguagem eivada de angústia e inquietação de D. Madalena de Vilhena, em consonância com o seu estado de espírito; a linguagem supersticiosa, mas sempre digna e respeitosa, sem deixar de ser familiar, de Telmo, um escudeiro que serve com toda a dedicação os seus amos, mas que nutre um secreto desejo de ver aparecer o seu velho senhor, D. João de Portugal; a linguagem nobre e elegante de Manuel de Sousa Coutinho (ele mesmo um escritor), didáctica, quando se dirige a Maria (actos II e III), erudita, sempre que fala com Jorge (acto I) e um pouco titubeante, aquando do seu descontrolo psicológico no acto III; uma linguagem confessional, de tom religioso e moralizante, por parte de Frei Jorge.

 

ESTILO

 

Nos momentos de maior emotividade e dramatismo, Frei Luís de Sousa está pejado de frases curtas, reticentes, exclamativas e interrogativas. As repetições e as interjeições são também uma constante, a espelhar a dificuldade das personagens em traduzirem aquilo que lhes vai no mais recôndito do seu ser.

 

Diálogos e monólogos, ainda que marcados pelo tom elevado a que a posição social das personagens conduz, são sempre acessíveis e mesmo quando o estilo é grandiloquente, arrebatado, erudito (como acontece com Manuel de Sousa Coutinho), ressumbra sempre dele uma coloquialidade deveras notável. Os discursos de Telmo, de Maria e Madalena exploram abundantemente os subentendidos, os silêncios (por vezes longos) e as hesitações, tornando-se, assim, variados, ricos, vivos, sentidos e revestindo um tom declamatório, tão de acordo com os processos românticos!

 

Quanto ao Romeiro, o seu discurso é curto e incisivo, feito de mistérios e de duplos sentidos.

Joaquim Matias da Silva

 

Voltar

Início da página

 

© Joaquim Matias 2012

 

 

 

 Páginas visitadas