* Escudeiro (não nobre), mas ligado sempre à
nobreza e tratado com deferência;
* Confidente de D. Madalena;
* Elo de ligação das duas famílias;
* Chama viva do passado, é a voz sinistra do
agouro, do presságio...;
* Desempenha as três funções do coro das
tragédias clássicas:
- Diálogo
- Comentário (apartes)
- Profecia (agouros);
* Aparece ligado à lenda romântica sobre Camões (II, 1);
* Transforma-se em vítima, pelo amor que nutre por Maria
e pelo seu antigo amo (está, pois, dividido entre dois
amores: um do presente - D. Maria de Noronha; outro do
passado - D. João de Portugal).
Telmo Pais é o escudeiro da casa de D. Madalena
e D. Manuel, em Frei Luís de Sousa, de Almeida
Garrett. O seu carácter e personalidade são
definidos ao longo do desenrolar deste drama
trágico. Extremamente devotado e muito amigo de
Maria, considera-a uma quase senhora («uma
senhora aquela ... pobre menina!») e um anjo
(«... uma viveza, um espírito!... e então que
coração!»), não deixando
de a lamentar.
Põe sempre em dúvida a morte do seu velho amo, D. João
de Portugal, desaparecido em Alcácer Quibir.
Com efeito,
Telmo duvida e tem esperança de que D. João esteja vivo,
e de que a qualquer momento possa regressar,
nutrindo, pois, pressentimentos sebastianistas, já que o regresso de D.
João se integra no regresso mítico de D. Sebastião, rei
de Portugal. Por isso, Telmo nunca aprovou o casamento
de D. Madalena com Manuel de Sousa Coutinho, acusando-a
de nunca ter amado D. João de Portugal. Não deixa, no
entanto, de render homenagem às qualidades do seu novo
amo.
O escudeiro vive, nesta peça, um dilema trágico
entre a fidelidade antiga a D. João de Portugal e o amor
nascente por Maria, que vem ocupar o lugar dessa velha
dedicação.
Telmo, contemporâneo de Camões, refere o grande poeta,
criticando a ingratidão de Portugal para com as suas
grandes figuras.
Quando D. João finalmente regressa, Telmo fica confuso,
não sabendo como se sentir. Debate-se então numa luta
interior bastante violenta. Julga ter harmonizado o
culto pelo seu antigo amo com a afeição que tem agora
por Maria, mas rapidamente descobre que a veneração que
sentia por D. João se transferira aos poucos para a
jovem. O regresso daquele marca o momento em que as
circunstâncias rompem violentamente este equilíbrio
afectivo a que o velho aio se afizera. Telmo reconhece
com espanto que o tempo fez dele outro homem e que o seu
coração já não está vivo para o D. João que lhe aparece
em carne e osso. Toma, assim, consciência da sua
dolorosa fragmentação afectiva.