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O MOVIMENTO ROMÂNTICO EM PORTUGAL

 

 

Data-se, habitualmente, o nascimento do romantismo português de 1825, ano da publicação, em Paris, do poema Camões, de Almeida Garrett, indo até 1865, data da publicação dos folhetos de Antero Quental Bom Senso e Bom Gosto (Questão Coimbrã).

Esquematicamente, há que distinguir duas gerações românticas:

- primeira, a de Almeida Garrett (de formação arcádica), Alexandre Herculano e António Feliciano de Castilho (este, aliás, discípulo dos árcades e já próximo do ultra-romantismo, de que foi o mestre);

- segunda, a de Camilo Castelo Branco, entre o romantismo e o realismo na ficção), João de Lemos e Soares de Passos (ultra-românticos).

João de Deus é um poeta de transição. A acção divulgadora da Marquesa de Alorna, a Madame de Staël portuguesa, foi decisiva. Note-se ainda que, segundo António Sérgio, a Geração de 70, e sobretudo Antero de Quental, representa um "terceiro romantismo".

Na primeira fase, a mais característica, o romantismo português está essencialmente ligado ao nacionalismo e à ideologia liberal, pouca ou nenhuma influência havendo de grandes românticos de tendência propriamente filosófica como Novalis ou Coleridge. Pensa-se sobretudo em "amar a Pátria, não a poesia" (Herculano, Opúsculos , tomo IX, livro 1.º).

 

Álvaro M. Machado (Dic.), Quem é Quem na Literatura Portuguesa

 

O início do Romantismo em Portugal anda, extrinsecamente pelo menos, ligado às lutas civis entre miguelistas e liberais. Por duas vezes, depois da Vila-Francada e da Abjuração da Carta, muitos partidários de D. Pedro IV tiveram de exilar-se na Inglaterra e na França. Entre esses emigrados estavam dois jovens escritores: Almeida Garrett e Alexandre Herculano.

Desde há anos que corriam já em Portugal traduções de algumas obras pré-românticas e românticas de autores ingleses e alemães. Mas foi longe da Pátria que um e outro conceberam a ideia de criar uma literatura nova, de carácter nacional e popular, como a de Scott ou a de Byron. Os figurinos a imitar tinham-nos ali bem à mão, nos países onde comiam o pão amargo do exílio.

 

Foi assim que Garrett publicou, em 1825, o poema Camões, que costuma ser considerado o ponto de partida para a fixação da cronologia do Romantismo português. Herculano e Castilho depressa lhe seguiram as pisadas.

Mas até 1837 o Romantismo português quase só se manifestou em tentativas isoladas. A partir desta data, passado o período mais agudo das lutas liberais, é que a nova escola começou a contar em Portugal com um público numeroso. Multiplicaram-se as tertúlias literárias de adeptos do Romantismo, proliferaram as revistas que expandiam corajosamente as características da nova estética. Entre as tertúlias então criadas, podemos mencionar a Academia Dramática (Coimbra) e a Sociedade Escolástico-Filomática (Lisboa). As revistas que todos os amantes folheavam com entusiasmo eram: Panorama (Lisboa, 1837), Ramalhete (Lisboa, 1837), Revista Estrangeira (Coimbra, Porto e Lisboa, 1837), Revista Literária (Porto, 1838), Universo Pitoresco (Lisboa, 1839), O Mosaico (Lisboa, 1939), O Cosmorama Literário (Lisboa, 1840), Museu Pitoresco (Lisboa, 1840), Revista Universal Lisbonense (Lisboa, 1841).

 

Entre 1865 e 1870, o Romantismo introduzido por Garrett, Herculano e Castilho mudou de feição. A Questão Coimbrã e as Conferências do Casino puseram fim ao primeiro momento romântico com a introdução da estética realista. Começou, então, o segundo momento.

Joaquim Matias da Silva

 

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