Camilo Castelo Branco
Fernando Pessoa
José Saramago
Sttau Monteiro
Outros
Outros Autores

 

NEOCLASSICISMO

 

(Página ainda em construção. Veja, para já, o seguinte vídeo e alguns aspetos da sua obra) 

pYaubAfQqd0

 

 ASPECTOS MAIS SALIENTES DO NEOCLASSICSMO

 

O contexto cultural do Portugal do séc. XVIII
 

As transformações mentais e técnicas, e consequentemente económicas e sociais, do séc. XVIII iriam também fazer com que alguma "luz" iluminasse o espaço português.

Reatara-se desde a Restauração, e mais ainda após a época de D. João V, o contacto com o exterior através da mediação dos estrangeirados, portugueses que, emigrados por razões muitas vezes ideológicas (a Inquisição não acalmara o seu zelo ), vão, no entanto, comentando a realidade nacional. Com D. José, ou melhor com Pombal, alguns desses portugueses são mesmo convidados a participar nas vastas reformas que o ministro se propôs realizar em todos os campos, nomeadamente no do ensino (Ribeiro Sanchez, Luís António Verney).

 

Reformou-se pois profundamente, dentro de uma política, também aqui despótica e iluminada, o ensino. Mas esta reacção ao passado no campo da prática educacional tem também paralelo nas letras. Um grupo de jovens poetas lisboetas, liderados por Correia Garção, propõe-se erradicar da literatura nacional os excessos barrocos do gongorismo (cultismo e concetismo) peninsular tão cultivado desde o séc. XVII e que esvaziava a poesia de conteúdo. O seu grupo, Arcádia Lusitana, evoca, pelo nome e pelos modelos tomados, o espírito da Antiguidade Clássica, da sua sobriedade e pureza formal e da sua riqueza temática.

 

 

Os poetas, que estão, na maioria dos casos, ligados ao poder por cargos no funcionalismo, e à sociedade pela extração burguesa, cultivam muitas vezes, dentro das formas classicizantes, o gosto da crónica de costumes da sociedade da capital ou das cidades de província.

 

Este novo panorama literário revela-nos efetivamente "tempos novos". Surgem escritores de uma nova camada social e também um novo público, lentamente formado e educado nas publicações literárias ou científicas, nas traduções de autores franceses e ingleses, veiculando novas ideias estéticas, científicas e políticas.

 

Ideias a relevar:

o papel dos estrangeirados na evolução do panorama cultural português;

a profusão das reformas, nomeadamente a nível do ensino, levadas a cabo pelo Marquês de Pombal;

a contestação aos "excessos barrocos do gongorismo" (estilo introduzido na literatura espanhola por Luís de Gôngora e depois adoptado por outros escritores peninsulares, em que predominavam os latinismos, os neologismos, os trocadilhos, as metáforas e os pensamentos subtis );

a criação da Arcádia Lusitana como impulsionadora do regresso à sobriedade, pureza formal e riqueza temática da Antiguidade Clássica, à valorização da filosofia, da retórica da história;

o gosto da crónica de costumes e introdução do quotidiano;

o aparecimento de escritores de origem burguesa;

o nascimento de um público educado pelas traduções de autores franceses e ingleses.

O NEOCLASSICISMO  e AS ARCÁDIAS - o que foram?
 

O neoclassicismo foi um movimento literário, derivado do espírito crítico do Iluminismo, que visa a reabilitação e a restauração dos géneros, das formas, "das técnicas e da expressão clássicas", que vingaram em Portugal no séc. XVI. Esta renovação faz-se acompanhar duma severa disciplina estética e dum purismo estreme, que procura libertar a língua de termos estranhos, restituindo-lhe uma sobriedade castiça e o rigor do sentido.

O Neoclassicismo propõe um retorno à simplicidade e perfeição do primeiro Classicismo e a condenação do Barroco. A rima, como mero artifício sonoro deve ser abolida e a mitologia suavemente usada. A grande mestra é a Natureza, que deve ser imitada como o fizeram os Antigos. A poesia tem um elevado papel didático, contribuindo para a transformação das mentalidades. Tudo isto deve ser orientado pelos critérios da razão e da verdade.

 

As Arcádias - a Lusitana, a Portuense e a Nova Arcádia - tiveram, por sua vez, um papel relevante na exposição e divulgação desses ideais. Contudo, o grande número de normas impostas aos escritores limitou muito a sua criatividade e imaginação.

A Arcádia Lusitana, fundada em Março de 1756, é uma assembleia de escritores portugueses do séc. XVIII, que tomam o nome de velhos pastores da Grécia, querendo significar com isso que desejam regressar ao viver chão da Natureza e que estão dispostos a levar a arte literária a uma correspondente simplicidade de expressão. O seu emblema era um lírio branco e usava como divisa a frase latina "inutilia truncat" - corta o inútil.


 

Os princípios estéticos gerais do arcadismo podem resumir-se em:

"Inutilia truncat" - Corta o inútil;

"Aurea mediocritas" - Mediania sensata (só é feliz e vive tranquilamente quem se contenta com pouco ou com aquilo que tem, sem aspirar a mais).

"Fugere urbem" - fugir da cidade;

Condenação absoluta do cultismo e do concetismo;

Aceitação do conceito aristotélico da Arte ( a Arte é imitação da Natureza );

Sentido de equilíbrio e proporção na obra literária;

Exposição simples e natural dos assuntos, evitando perífrases e chamando as coisas pelos seu nome;

Necessidade de imitação dos antigos, mas só no que têm de bom;

Condenação da rima;

Aceitação da crítica construtiva como se fora um conselho amigo. A crítica era instituição oficial da Arcádia;

Reconhecimento da função moderadora da poesia.



Características histórico-político-sociais e estéticas do século XVIII:

NEOCLASSICISMO

revalorização dos ideais clássicos: o equilíbrio, o bom senso, a apologia da experiência;

referência ao despotismo esclarecido, ao iluminismo e aos estrangeirados;

predominância dos motivos e temas clássicos: o locus amoenus, o ideal da aurea mediocritas, o carpe diem , referências mitológicas...


uso exclusivo de formas poéticas clássicas: soneto, odes, epigramas, epístolas, cantatas, canções, elegias, sátiras;

reação contra os excessos ideológico-formais do Barroco (Séc. XVII) através da criação das academias;

papel preponderante dos salões literários e dos cafés na animação cultural do país e na transmissão de uma nova sensibilidade que se adivinha: o Pré-Romantismo (Segunda metade do século XVIII);

época de grandes mudanças a nível mundial (independência dos EUA, em 1776, e Revolução Francesa em 1789);

valorização da liberdade, quer a nível social, quer estético e individual.

 BIBLIOGRAFIA:
1. BARREIROS, António José, História da Literatura Portuguesa, Volume 1, Edição do Autor, Braga,1996.
2. COELHO, Jacinto do Prado, Dicionário de Literatura, Livraria Figueirinhas, Porto, 1981.
3. QUINTELA, Dulce et alii, Temas de Língua e Cultura Portuguesa, Lisboa, Editorial Presença, Junho,1980.

WEBGRAFIA:

http://auladeliteraturaportuguesa.blogspot.pt

Joaquim Matias da Silva

 

Voltar

Início da página

 

© Joaquim Matias 2012

 

 

 

 Páginas visitadas