É costume chamar pré-românticos a alguns poetas do
século XVIII, que, embora embrionariamente, manifestaram
ideias e tendências próprias do Romantismo. Os mais
citados são José Anastácio da Cunha, Bocage, Marquesa de
Alorna, Tomás António Gonzaga e Filinto Elísio. Com
efeito, quer pelos temas, quer pela expressão, algumas
composições destes poetas prenunciam já a aurora do
Romantismo e estão mais próximas da produção literária
do século XIX do que das obras neoclássicas.
O pré-romantismo dos nossos escritores consiste,
fundamentalmente, na fuga mais ou menos clara aos
preceitos estéticos do arcadismo e na adoção de novos
temas, vulgares então nas literaturas europeias, como:
a valorização do sentimento como fonte de inspiração,
com desprezo do racionalismo neoclássico;
o culto do «eu», com a desnudação da alma, a aspiração
do infinito e da liberdade, a confissão de tumultos
interiores;
a simpatia pelos estados melancólicos, com a insistência
em situações desesperadas e tétricas, a mania da
perseguição do «Fado»;
o amor da solidão, da morte, dos túmulos, da noite;
o gosto pela paisagem exótica, com a interação do «eu» e
de lugares e tempos nostálgicos, como a montanha, os
lagos, os jardins, o mar, as florestas sombrias, os
castelos abandonados, o outono, a noite luarenta;
a fuga, embora tímida, às leis da estética neoclássica e
a substituição da mitologia pagã por fantasmas e
crendices populares e agouros.
in BARREIROS, António José, História da
Literatura Portuguesa (s/d), vol. 1, 9.ª edição.