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ROMANTISMO versus REALISMO

 

 

ROMANTISMO

(fins do séc. XVIII – último quartel do século XIX)

REALISMO

(segunda metade do séc. XIX – inícios do séc. XX)

 

O Romantismo apresenta um tipo de literatura que se evade para o passado, sobretudo para a Idade Média. O romântico refugia-se também nas viagens (a literatura de/sobre viagens desenvolve-se neste período), nos sonhos e até na morte (o suicídio do artista romântico acontece com relativa frequência…).

 

 

O que interessa é observar e analisar o presente, tendo em vista um futuro mais promisssor.

 

 

 

 

 

 

 

 



A sociedade é tida como corruptora e, por isso, urge fugir-lhe porque oprime pelos seus preconceitos, injustiças e hipocrisias. O Romântico é um inadaptado; logo, um solitário.


 

A literatura realista não teme a sociedade; pelo contrário, procura analisá-la criticamente e põe a sua força ao serviço das transformações sociais.

Não perde tempo em busca do paraíso perdido mas gasta tempo na construção de um paraíso futuro. O grande desenvolvimento filosófico e científico anima a pugnar por que tal aconteça.
 

 

 

A sensibilidade e a imaginação têm um papel preponderante na literatura romântica.

 

Agora é a observação e a análise do real que se destacam. O narrador torna-se impassível face àquilo que narra. Não quer julgar o que observa e analisa. Isso é com o leitor. Quer, sim, identificar situações, denunciar, chocar com o que narra para sacudir a modorra de quem lê.
 

Paisagem agreste e inóspita, com uma natureza sombria e melancólica (Outono e Inverno), exótica e macabra (apreço pelos lugares escuros e por tudo o que fizesse lembrar a morte - cemitérios, ciprestes, corujas, mochos...) – locus horrendus. A natureza é livre, espontânea, rude e selvagem. É um estado de alma que se descreve, logo está de acordo com os sentimentos do poeta/escritor.

 


 

Paisagem colorida e variada cuja descrição é captada por todos os sentidos. Daí o valor dado ao adjectivo, ao advérbio e à sinestesia.
 

 

 

 

 

 

Usa o maravilhoso cristão (religiosidade) e popular das lendas, agouros, superstições e tradições, no intuito de ligar o país às suas origens.
 

Atitudes antirreligiosas e reações anticlericais. As conquistas científicas deslumbram os espíritos como se estas pudessem, só por si, dar resposta a todos os problemas do homem pondo de lado Deus e a Metafísica.

O movimento romântico, no intuito de ligar o país às suas origens, deu muita importância à tradição.
 

O Realismo interessa-se mais pelo presente e pelo futuro.
Apoiados na ciência e na técnica, os homens podem superar muitas limitações que paralisaram os antigos. A tradição, segundo pensam, não contribuiu para o progresso do Homem.
Eça de Queirós, Oliveira Martins e Antero de Quental tentam desvincular a nossa sociedade do imobilismo tradicional em que caíra e alicerçá-la em novos princípios dinamizadores de progresso e de justiça.

A inspiração está na base da criação literária.
 

O Realismo prefere a análise, a experiência, a comprovação dos factos.

Nacionalismo.
 

Cosmopolitismo. Um país a pensar só em si mesmo, fechado nas suas fronteiras não progride, afasta-se do movimento cultural e social da Humanidade. Por isso há que abrir-se para dar e receber.

 

A visão pessimista da sociedade, visão essa que faz com que o herói romântico seja um rebelde e exprima essa rebeldia. Não foi por acaso que o Romantismo surgiu associado à Revolução Liberal.

 


 

O Realismo centra-se na sociedade. Analisa e critica o que há de mau numa perspectiva pedagógica: o que é mau pode corrigir-se caso haja um verdadeiro empenhamento. A literatura quer comprometer-se nessa tarefa: torna-se, por isso, uma literatura empenhada, comprometida. A crítica e a ironia vão incidir sobre as personagens, denunciando as suas corrupções, as intrigas em que se enredam, a mediocridade que manifestam, as soirées ociosas em que gastam o tempo.

 

Domina o coração e a sensibilidade, a fantasia e a imaginação.
 

 

A sinceridade do coração, enaltecida pelo Romantismo, perde importância em favor da verdade dos factos, passível de comprovação. O subjectivo cede o lugar ao objectivo. É preciso ver para crer.

A linguagem tem um forte pendor afectivo e declamatório, onde abundavam as reticências, exclamações e interrogações e um vocabulário mais corrente e familiar, mais musical e oralizante.

A linguagem torna-se mais directa e desafectada, procurando transmitir, até ao pormenor, o máximo de dados que possibilitem a captação das qualidades das coisas através de todos os sentidos.

 

Joaquim Matias da Silva

 

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