É aquele que diz respeito às "zonas" de vivência íntima
de determinadas personagens, onde se geram e desenvolvem
os seus conflitos íntimos, as suas preocupações, os seus
anseios, os seus sentimentos. Para proceder à
representação deste espaço o narrador recorre
normalmente aos
sonhos
ou às
evocações
(pp. 184-185), à
imaginação
(pp. 245 e 246) e à
activação da
memória
(p. 670 - período posterior à morte de Afonso).
Com Carlos,
João da Ega é uma personagem onde o espaço psicológico
se evidencia.
As personagens onde a densidade psicológica é maior,
onde os espaços psicológicos são, por conseguinte,
privilegiados, são João da Ega e, sobretudo, Carlos. Na
verdade, é nestas personagens que se notam mais
facilmente as conturbações intensas, as dúvidas
violentamente sentidas, as crises de autoconfiança, que
se vão acentuando à medida que a intriga se complica e
se aproxima do desenlace. Vejamos alguns exemplos:
Carlos:
Quando reflecte sobre a atitude
a tomar com Maria Eduarda e as consequências daí
resultantes (pp. 451 - 453);
Aquando da resolução de romper
com Maria Eduarda (pp. 492 - 493), o fluir dos seus
pensamentos aflora de sobremaneira;
Quando pretende revelar à irmã a
verdade já conhecida (pp. 652 - 654);
Quando reflecte acerca das
consequências do incesto (pp. 665- 667).
Ega:
Quando reage às revelações de
Guimarães (pp. 620 - 622);
Quando toma conhecimento do
incesto consciente de Carlos (pp. 661 - 665).
Por estas razões, entre outras, Carlos e Ega são
personagens redondas ou modeladas, opondo-se
diametralmente às personagens planas ou tipo.
Obs: as
páginas indicadas referem-se à obra de Eça de Queirós,
Os Maias (Episódios da Vida Romântica), Edição
Livros do Brasil, de acordo com a primeira edição
(1888). Lisboa