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FERNÃO LOPES

 

- O amor à pátria -

 

Fernão Lopes tem um conceito de pátria diferente do dos homens que o precederam. Para ele a Pátria Portuguesa não é apenas um pedaço de terra, uma espécie de grande quinta que é preciso defender dos assaltantes e, de vez em quando, alargar.

 

 

A Pátria é madre que gera e defende todos os seus habitantes; é uma sociedade de abrigo e proteção e salvação como a Igreja. Por isso diz o cronista que, na crise de 1383, o Mestre de Avis mandou D. Nuno e seus companheiros a pregar pelo Reino o Evangelho Português, tal qual Jesus, depois da Ressurreição, mandara os discípulos a espalhar pelo mundo a Boa Nova da Redenção. Do Minho ao Algarve, esses “evangelistas” mobilizaram os povos e a salvação não se fez esperar (cf. Crónica de D. João I, 1.ª parte, cap. 159).

 

Esta salvação coletiva, que se irmana com a vida da Pátria, está acima de pais e irmãos, acima de todos os interesses particulares. Só obedece a um imperativo: o bem comum.

 

A Pátria vê-a Fernão Lopes representada no Rei e na Capital. É sugestivo o diálogo que sustenta com a cidade de Lisboa, perguntando-lhe quem é o seu esposo, quem são os seus mártires, quem são os seus confessores (cf. Crónica de D. João I, 1.ª parte, cap. 160 e segs.). E ela responde que é o Mestre de Avis, que são todos os cidadãos e terras que estiveram a seu lado na luta com Castela e a preservaram da morte.

 

Pela primeira vez, a Pátria é de todos. Vinha-se, como é sabido, do retalhado domínio senhorial, onde as terras e os seus habitantes seguiam o destino arbitrário dos seus donos. Mas agora Portugal não quis acompanhar para Castela a herdeira do trono. Ganhou consciência da sua forte personalidade e doravante não será mais a Nação que pertence ao Rei mas sim o Rei é que pertencerá à Nação. E, se qualquer Rei pensar um dia destruí-la, os Portugueses, todos unidos, saberão, como souberam em 1383, escolher o que melhor lhes convém.


F

BARREIROS, António José, s/d. História da Literatura Portuguesa, vol. I. Braga: Editora Pax (9.ª ed.),
c/ adaptações.
 

Joaquim Matias da Silva

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