Nós no Mundo
duas semanas (a 22 de Março), o DN dedicou uma página ao lançamento, na Austrália, do livro Beyond Capricorn (Para lá do Capricórnio), do cartógrafo australiano Peter Trickett. Este combatia a informação que está estabelecida nos manuais históricos de que o explorador e navegador britânico James Cook foi quem descobriu a Austrália. A tese de Trickett,
mapas quinhentistas, é que o descobridor foi o português Cristóvão de Mendonça.
James Cook, segundo a velha versão, tocou na costa oriental australiana em 1770, desenhou-a e continuou pelo Pacífico fora, oceano a que dedicou três expedições (viria a morrer no Havai, em 1779, combatido - e comido, diz a lenda - pelos ilhéus). As suas aventuras galgaram séculos
ter dado nome a uma das primeiras e mais célebres agências de viagens. Parte desse mito é destruída por Trickett,
apresenta a costa australiana tão perfeitamente desenhada como a de Cook...
250 anos antes.
O livro Beyond Capricorn tem tido uma grande repercussão internacional - na passada sexta-feira, o jornal italiano La Repubblica fez um longo artigo sobre ele - revelando,
ainda precisa disso, o papel absolutamente extraordinário de Portugal
o mundo se descobrisse por inteiro.
Cristóvão de Mendonça partiu de Malaca - fortificação portuguesa da costa da Malásia - com quatro naus, costeou várias ilhas do arquipélago indonésio e, em 1523, chegou à costa oriental da Austrália. Os mapas que fez dela são muito precisos - e quase idênticos aos desenhados por Cook tantos anos depois. Os mapas de Mendonça foram reproduzidos em França em 1545, com a indicação de "Terra Java" -
, aparentemente referentes à grande ilha indonésia. A tese de Trickett é que a expedição do português foi feita no maior dos segredos,
levou ao engano dos franceses. E ao atraso com que a Austrália ficou para ser revelada ao mundo.
O episódio tem pormenores que merecem ser sublinhados. Cristóvão de Mendonça partiu de Malaca, uma praça-forte que era prolongamento da nossa chegada a Goa, com Vasco da Gama. A sua expedição procurava ouro e o seu secretismo mostrava que não era acaso.
, era a execução de um desígnio, de uma política. Mendonça cartografou a sua viagem - Portugal, em 1522, era a ciência desenvolvida e aplicada por sábios, não era mera aventura de corajosos.
É isso que está a ser noticiado nos jornais de todo o mundo.
, sem se tirar as conclusões aqui ditas. Mas é isso.
DN, 09-04-07, Editorial