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FERNÃO LOPES

 

- Farsa de Inês Pereira (resumo) -

 

Inês Pereira, moça simples e casadoira, mas com grande ambição, procura um marido que seja astuto e sedutor. A mãe de Inês, preocupada com a sua filha, a sua educação e o seu casamento, incita-a a casar com Pêro Marques, pretendente arranjado pela alcoviteira Lianor Vaz. No entanto, o lavrador não agrada a Inês Pereira, por ser ignorante e inculto. Pêro Marques, nunca viu sequer uma cadeira, e isso não deixa de provocar o riso (cómico de situação).

 

 

Assim, Inês Pereira recusa-o, pois pretende alguém bem-falante e elegante, que demonstre alguma cortesia, alguém que, à boa maneira da Corte, saiba combater, fazer versos, cantar e dançar, alguém como Brás da Mata, o segundo pretendente, que lhe é trazido pelos Judeus Casamenteiros, um pouco menos sinceros e bem-intencionados do que Lianor Vaz. Porém, Brás da Mata representa apenas o triunfo das aparências, um simulacro de elegância, boa educação e bem-estar social, que acredita no casamento como solução para as suas dificuldades financeiras. Por isso, Brás da Mata deixa cair a máscara e torna-se notório que não passa de um escudeiro falido que apenas casou com Inês por forma a poder aproveitar-se do seu dote.
 

Não admira, pois, que esse casamento  se revele depressa como desastroso para Inês que, por tanto procurar um marido astuto, acaba por casar com um que, antes de sair em missão para África, dá ordens ao seu moço para a vigiar e a trancar em casa sempre que ela manifestasse o desejo de sair à rua.

 

Três meses após a sua partida, Inês recebe a prazerosa notícia de que o seu marido foi morto, de forma cobarde, quando fugia do campo de luta, por um pastor mouro. Escaldada, não tarda, então, em querer casar de novo e, sabendo nesse mesmo dia por Lianor Vaz de que Pêro Marques continua a querer casar com ela, como de resto lhe havia prometido, aquando do primeiro encontro de ambos, volta a contrair matrimónio logo ali.

No final da intriga, aparece um Ermitão que se torna amante da protagonista. Portanto, o ditado “mais quero asno que me carregue que cavalo que me derrube” não podia ser melhor representado do que na última cena da obra, quando o novo marido a carrega em ombros até

 ao amante e ainda por cima é obrigado a cantar com ela “assim são as coisas” (cómico de situação,pelo seu ridículo).
 

 

 

 

 

 

Publicado por

Joaquim Matias da Silva

 

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