Inês Pereira, moça simples e casadoira, mas com grande
ambição, procura um marido que seja astuto e sedutor. A
mãe de Inês, preocupada com a sua filha, a sua educação
e o seu casamento, incita-a a casar com Pêro Marques,
pretendente arranjado pela alcoviteira Lianor Vaz. No
entanto, o lavrador não agrada a Inês Pereira, por ser
ignorante e inculto. Pêro Marques, nunca viu sequer uma
cadeira, e isso não deixa de provocar o riso (cómico de
situação).
Assim, Inês Pereira recusa-o, pois pretende alguém
bem-falante e elegante, que demonstre alguma cortesia,
alguém que, à boa maneira da Corte, saiba combater,
fazer versos, cantar e dançar, alguém como Brás da Mata,
o segundo pretendente, que lhe é trazido pelos Judeus
Casamenteiros, um pouco menos sinceros e
bem-intencionados do que Lianor Vaz. Porém, Brás da Mata
representa apenas o triunfo das aparências, um simulacro
de elegância, boa educação e bem-estar social, que
acredita no casamento como solução para as suas
dificuldades financeiras. Por isso, Brás da Mata deixa
cair a máscara e torna-se notório que não passa de um
escudeiro falido que apenas casou com Inês por forma a
poder aproveitar-se do seu dote.
Não admira, pois, que esse casamento se revele
depressa como desastroso para Inês que, por tanto
procurar um marido astuto, acaba por casar com um que,
antes de sair em missão para África, dá ordens ao seu
moço para a vigiar e a trancar em casa sempre que ela
manifestasse o desejo de sair à rua.
Três meses após a sua partida, Inês recebe a
prazerosa notícia de que o seu marido foi morto,
de forma cobarde, quando fugia do campo de luta,
por um pastor mouro. Escaldada, não tarda,
então, em querer casar de novo e, sabendo nesse
mesmo dia por Lianor Vaz de que Pêro Marques
continua a querer casar com ela, como de resto
lhe havia prometido, aquando do primeiro
encontro de ambos, volta a contrair matrimónio
logo ali.
No final da intriga, aparece um Ermitão que se
torna amante da protagonista. Portanto, o ditado
“mais quero asno que me carregue que cavalo que
me derrube” não podia ser melhor representado do
que na última cena da obra, quando o novo marido
a carrega em ombros até
ao
amante e ainda por cima é obrigado a cantar com ela
“assim são as coisas” (cómico de situação,pelo seu
ridículo).