|
Prólogo |
Na noire de 15 para 16 de abril de 1846, um
punhado de aldeões que vive num lugarejo dos
confins do Minho, apressorado, foge para a
"serrania bárbara". À frente seguem duas
mulheres, "uma empunhando uma pá de forno, outra
a roçadoura na ponta de um longo varapau", quais
guerreiras tornadas gigantes, esguias e
fantasmagóricas pela projeção do luar. Lá atrás,
na distância, faz-se ouvir o toque de um clarim
longínquo, aterrador e sinistro. Em fuga
precipitada, as pessoas esbarram contra a
"parede da noite", uma "noite medonha e
traiçoeira", representada pelo "pano negro" da
serrania, enquanto o som do "feroz cornetim" se
torna cada vez mais audível.
|
19-22
|