O imortal cantor das glórias de Portugal nasceu em 1524,
provavelmente na capital do Império. De um modo geral,
sabe-se pouco da sua família.
Cedo, certamente, teria ido para Coimbra, em 1542, onde,
com maior ou menor influência de leituras de outros
grandes poetas – Petrarca e petrarquistas em lugar de
relevo – e com a sua própria emoção, começou a escrever
sobre as «doces e claras águas do Mondego», a «florida
terra» ou a «menina dos olhos verdes» imortalizada em
variadas redondilhas.
Foi, também, neste local que deve ter começado o seu
«honesto estudo», provavelmente sob a direcção dos
Crúzios, profundos conhecedores da cultura e línguas
clássicas.
Discípulo muito bom que, de muitos, mereceu o nome de
«filho legítimo do Renascimento e humanista dos mais
cultos doutos e distintos do seu tempo», Camões tinha
múltiplos e variadíssimos conhecimentos em história
universal, geografia, astronomia, mitologia clássica,
literaturas antigas e modernas, poesia culta e popular,
tanto da Itália como da Espanha, aproveitando-as com a
mais perfeita exactidão.
De 1542 a 1545 teria ido de Coimbra para a corte em
Lisboa, já rico em humanidades e com alguma experiência
amorosa. Aliás, essa experiência desenvolve-se na corte,
na presença gentil das damas que aí encontra, entre as
quais a Infanta D. Maria I, filha de D. Manuel I. Mas
não teriam sido estes amores a causa por que o poeta se
viu obrigado a deixar Lisboa.
Entre 1545 e 1548, o «Cavaleiro-fidalgo» teve de trocar
as delícias e dissabores inevitáveis do Paço pela vida,
dura e constantemente ameaçada, do serviço militar, em
África, onde, lutando, perdeu um olho. Em breve, porém,
regressaria à Pátria, donde o levara, certamente, a sua
condição, pois, naquela época «o serviço militar nas
praças de África constituía tirocínio obrigatório para a
juventude fidalga».
António Carneiro. Camões lê
Os
Lusíadas.
Em 1549, chegado a Lisboa, é motivo de zombaria para a
frivolidade de certa dama, tão bela quanto maldosa que
lhe chamou de “cara sem olhos”, em virtude da sua
gloriosa deformidade, que as armas marroquinas lhe
haviam deixado na face. Mas nem todas as damas eram
assim. Sabe-se que entre 1551 e 1552, à D. Francisca de
Aragão enviou Camões uma carta galante em resposta a um
mote que dela recebera. No entanto, se não se pode
provar que o Poeta vivesse sempre nesta atmosfera de
salão, não é menos verdadeiro ser bastante problemática
a sua convivência assídua com pessoas de baixa estrutura
moral. Tanto, que é verídica a desordem em que se
envolveu em Junho de 1552 e que o levou à prisão, por
ter agredido, com a espada, Gonçalo Borges, encarregado
dos arreios do monarca. Punição essa que teve de cumprir
até Março do ano seguinte, quando escreve uma carta a
pedir perdão, a qual torna possível a sua liberdade.
O poeta resolve ir para a Índia a serviço de El- Rei,
por não ter outro remédio. Exaltado, teria melhores
condições de mostrar noutros lugares a sua valentia. Por
isso, em fins de Março deixa Lisboa com aquele destino.
No mês de Setembro de 1553, desembarca em Goa,
não ficando deslumbrado com o elemento humano
que ali encontra. Por isso, e também por
imposição da vida militar, nesse mesmo ano
embarca para Malabar, para combater o rei da
pimenta. Esta actividade militar do Poeta não
pára, razão por que, em 1555, vemo-lo
participante num cruzeiro destinado a
interceptar os navios turcos inimigos, que se
entregavam ao comércio nestas paragens. Desta
estadia, deixou-nos versos de uma marcada
amargura com o pensamento na sua amada distante.
Em 1556, volta a Goa e mais tarde vai até
África, onde teve uma muito curta estadia. Com
efeito, como era soldado pobre, regressado do
Mar Vermelho, recebeu logo ordem de novo
embarque para as costas da China, na defesa
contra os piratas.
Retrato pintado em Goa, 1581
No trajecto, naufragou perto da foz do rio Mecão
e, liberto deste contratempo, recolheria a
Malaca. Mais tarde, a aventura levou-o pelas
ilhas da Malásia. Nestas viagens teria divagado
até 1560, voltando à Índia em 1561. Permanece
ainda algum tempo em Goa até 1568. Porém, era
tempo de voltar à Pátria e, com este objectivo,
embarca para Moçambique.
Selo português comemorando os 400 anos de seu
nascimento, em 1924, onde se mostra o poeta
salvando Os Lusíadas no naufrágio.
Regressado a Portugal, em 1569, vai para Lisboa em 1570.
Pouco lhe devia faltar para o fim da sua missão terrena.
Mas um derradeiro combate era preciso: tinha que
concretizar a grande ideia que lhe emprestava novo
sangue e que era a publicação d’ Os Lusíadas,
uma obra que depois de ser censurada foi finalmente
publicada em 1572. Com o dinheiro que recebeu da
publicação da obra (uma tença de 15000 réis anuais, que
lhe foi concedida por D. Sebastião), vivendo sempre em
dificuldades, vai-se mantendo até à hora da sua morte,
em 10 de Junho de 1580.
O túmulo, onde supostamente se guardam as cinzas do
Poeta fossem, encontra-se no Mosteiro dos Jerónimos, em
Belém.
Publicado
por
Joaquim
Matias da Silva
Veja também o
documentário
Luís de Camões - Série Grandes Portugueses