Feição autótone, ou seja, de origem peninsular,
galaico-portuguesa.
Origem popular, com marcas evidentes da
literatura oral, como reiterações, paralelismos,
refrão e/ou estribilho, recursos próprios dos
textos para serem cantados, propiciando
facilidade na memorização.
O eu lírico é uma donzela (moça solteira) que
exprime a sua situação amorosa ou os seus dramas
na relação com o amigo.
Esses dramas/vivências consubstanciam-se na
manifestação de sentimentos, como:
O sofrimento de amor;
A morte de amor;
Os cuidados e ansiedade;
A tristeza e saudade; A alegria na volta do amigo;
O ódio aos mexericos.
O amor é natural e espontâneo.
A donzela é uma moça simples, solteira, por
vezes ingénua, mas enamorada.
O ambiente é rural ou marinho - a fonte, o rio,
a praia, o campo e a casa. Por isso, está-se
sempre em contacto com a natureza que, muitas
vezes, se torna confidente ou reflete o estado
de espírito da donzela.
Confidentes, para além da natureza
(antropomorfismo e animismo, típicos de
sociedades mais primitivas), podem ser também a
mãe, a irmã (normalmente a mais velha), as
amigas, um cavaleiro (mais raro) e até os santos
da sua devoção, a quem a menina apaixonada
desabafa as suas inquietações, esperanças ou
alegrias.
O paralelismo é um elemento distintivo destas
cantigas, bem como o uso do refrão.
As cantigas possuem uma estrutura simples.
Essas cantigas documentam bem a importância
social da mulher, que era, na época, o garante
da estabilidade familiar, dado que os homens
tinham que se ausentar frequentemente,
empenhados que estavam nas campanhas militares
de defesa e ataque entre cristãos e mouros.
A atestar a antiguidade deste tipo de cantigas
temos os arcaísmos que os trovadores
conservaram, provavelmente porque tomavam do
povo anónimo temas e versos inteiros que depois
desenvolviam.