Normalmente consideradas como variedade da
cantiga de amigo, estão como que imbuídas de um
certo hibridismo, situação que leva autores a
entenderem mesmo que as pastorelas integram,
maioritariamente, o subgénero das cantigas de
amor, na medida em que geralmente é o cavaleiro
que se dirige a uma pastora que encontra no
caminho, manifestando-lhe o seu amor.
A propósito deste hibridismo, Jacinto do Prado
Coelho, por exemplo, afirma que a pastorela é
"um género à parte de origem obscura“, pois
floresceu no Norte de França e foi trazido para
o Ocidente da península. O certo é que na
Península Ibérica nem sempre as pastorelas
evidenciam uma disputa amorosa entre a pastora e
o cavaleiro, evitando-se até, muitas vezes, o
diálogo.
Apresentam, antes, uma pastora cantadeira, facto
que lhes confere um colorido próprio das cantigas de
amigo, limitando-se, então, esses cantares a descrever,
não raro, o solilóquio da pastora que suspira pelo seu
amado, o qual não participa diretamente da cena.