São de origem provençal. Aliás, essa influência
é bem visível no uso de provençalismos –
vocábulos originários da Provença, como: sen
(senso), cor (coração), prez
(valia, preço), greu (difícil), solaz
(prazer), fiz (certo), eire
(ontem) … – e na teoria do amor cortês.
Os sentimentos amorosos que delas respigam são
os de um homem que se diz perdidamente
apaixonado.
O amor é mais fingido que o expresso nas
cantigas de amigo, porque pouco espontâneo, de
índole platónica – amor cortês –, ainda que nas
nossas cantigas de amor haja mais sinceridade
amorosa do que nas cantigas provençais.
Por influência do lirismo tradicional, algumas
das cantigas de amor estão dotadas de
paralelismo imperfeito e semântico (o conteúdo
de uma estrofe é idêntico ao da estrofe
anterior, sendo usadas, porém, palavras
diferentes).
Uma certa uniformidade na expressão (elogios
constantes à dama, numa linguagem repetitiva) e
nos sentimentos expressos (sempre a “morte de
amores”)
redundaram numa monotonia temática.