O tema ou o mote quase exclusivo deste género de
cantigas é o amor. Mas apesar da monotonia temática, não
deixa de haver uma interessante variedade na abordagem
das relações eróticas entre o poeta e a “senhor”. Assim,
A “dona” é exaltada, idealizada, venerada, vista como o
espelho de todas as virtudes físicas e morais.
O amor-adoração (amor-vassalagem) sobrepõe-se ao
sensual, físico.
Isso faz com que muitas vezes o poeta fique esmagado
pelo desespero, pela saudade de um ser distante e
altivo, do qual, não raro, se despede banhado em
lágrimas.
A não correspondência amorosa não é impedimento para o
poeta fazer juras de fidelidade à “senhor”, chegando,
numa atitude masoquista, a extrair prazer desse amor
impossível, platónico.
Contudo, também com frequência o vemos, ainda que
humilhado e cheio de timidez e mesura, a mendigar à
“dona” o favor de o amar. Outras vezes, todavia, expõe
os sentimentos contraditórios do amor e lastima o
fatalismo do encontro com a “senhor” de quem e por quem
ficou cativo.
Uma indescritível “coita” (sofrimento) amorosa leva ao
desejo da morte por amor.