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APARIÇÃO - Espaço

 

(Página a construir)

 

Os informantes espaciais  acompanham de perto a angústia existencial das personagens, com mais incidência para o narrador homo e autodiegético e as suas contínuas buscas de descoberta das origens, da essência do ser.

 

 

Relativamente ao espaço, montanha e planície complementam-se, ambas falam a mesma voz primordial, no dizer do próprio Vergílio Ferreira. A primeira, alta, vertical e próxima do céu, simboliza a transcendência, fazendo a ligação do céu com a terra. Mas ao evocar o ventre materno, lugar de origem, surge, em Aparição, ora ligada à idade do ouro de qualquer ser (a infância), ora à revelação, à evocação (é lá que o narrador-autor evoca os acontecimentos ocorridos uns bons anos antes), à paz, à ausência, mesmo que fugaz, de conflitos. É a ela que o narrador regressa, quer nas férias quer quando se reforma, sempre em busca de uma luz que lhe dissipe as trevas que (en)cobrem a sua existência.

 

A planície, por seu lado, pela sua horizontalidade e infinidade, representa seja a realização da totalidade do ser humano seja a vida e a morte, as infindas inquietações do homem existencialista, o vazio que o preenche nalguns momentos, a tragicidade, como trágica e absurda é a morte.

 

Mas há ainda duas referências espaciais merecedoras de uma atenção especial: uma é a Casa do Alto; a outra reporta-se ao itinerário seguido por Alberto, aquando da sua partida para as férias da Páscoa, rumo à sua terra natal. Ambas remetem para o desejo humano de ascensão. A primeira propicia a meditação e o afastamento dos outros, ligando-se ao percurso iniciático de Alberto na descoberta do seu próprio “eu”; possibilita também a cisão definitiva com o passado e a subsequente tentativa de alcançar a harmonia e a paz. A segunda, também ascensional, seguindo uma linha paralela ao mar e em direcção ao norte de Portugal, pode ser vista como mais uma tentativa do narrador encontrar as suas origens (lembre-se que o mar é o lugar da origem da vida, que o norte é símbolo de orientação – a bússola aponta sempre para o norte – e é no norte que está a origem de Portugal).

 

Publicado por

Joaquim Matias da Silva

 

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