O romance inicia-se com um
prólogo
ou
preâmbulo
escrito em itálico no qual o narrador se apresenta no
ato de escrita, provocado pela necessidade de evocar
factos passados que ficaram gravados emocionalmente na
sua memória e que o silêncio espesso da casa e o brilho
lustral da Lua fazem emergir à superfície da
consciência. Neste texto, são referidos os principais
temas que unificam a matéria diegética apresentada em 25
capítulos, que recriam um passado distante de mais de
vinte anos, mas com uma intriga que decorre num ano
letivo, no Liceu de Évora, e um outro passado rnais
distante que desce até à infância do narrador,
abrangendo factos familiares.
A obra termina com um
epílogo
ou
conclusão,
dividido ele mesmo em quatro partes: as duas primeiras
dizem respeito à história narrada durante o ano letivo;
a terceira parte, muito pouco extensa, contém
informações de carácter autobiográfico e familiar; a
última retoma circularmente o prólogo. Esta
circularidade, que se regista diversas vezes ao longo do
romance, contém um valor simbólico de não só apresentar
o que o autor chama de tom do romance mas ainda
corporizar o mito do eterno retorno, a nunca consumada
resposta às inquietações existenciais. A um outro nível,
pode esta circularidade representar a existência humana
como um círculo: nascimento, vida e morte. Também
confere centralidade a uma personagem-narrador-autor,
cuja angústia existencial gira em torno da incompreensão
da dialética vida / morte e do combate constante
que terá de empreender para vencer determinados
condicionalismos, limitações e contradições até ao
desnudamento de si próprio, nos limites do possível.
Para visualizar esta estrutura, servimo-nos, com a
devida vénia, do esquema construído por Alzira Mendes e
Gracinda Dias em Aparição de Vergilio Ferreira - Uma
proposta de abordagem, Edições Sebenta (p. 36):
in
"Aula Viva",
Literatura Portuguesa - 11.º ano, Porto Editora, com
adaptações