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APARIÇÃO - Personagens femininas

 

PERSONAGENS

Respetiva caraterização

  Sofia

 

 

A caraterização de Sofia pode ser feita balizada em três fases:

 

1.ª fase: até conhecer o Dr. Alberto Soares
Era uma criança muito difícil, que desafiava tudo e todos, chegando, inclusive, a fugir de casa. Ao tentar o suicídio, mais do que uma vez, desafia a vida. Jovem, com cerca de 20 anos de idade, é uma rebelde, mas possuidora de uma beleza demoníaca e sedutora.

 

2.ª fase: após o conhecimento do Dr. Alberto Soares
Ao travar conhecimento com Alberto Soares, já era uma jovem em disfunção. Não admira, por isso, que assimile imediatamente a grande notícia de que o narrador diz ser portador. Assoberbada pelas mesmas inquietações, consegue dar voz às mesmas, diferentemente do Dr. Alberto Soares que ou se cala ou fala em solilóquios. O seu grito é um grito de revolta incontida, razão por que é impelida um destino de tragédia. Ajuda, entretanto, à revelação existencial do narrador, atraindo-o.


3.ª fase: após o conhecimento do Carolino
Continua a sua loucura. aliás, a loucura de Carolino atrai-a irremediavelmente. Sente um prazer demoníaco em se mostrar superior, tornando-se o centro de todas as atenções. Evidencia, entretanto, um sentimento de solidão e de angústia que é comum ao Dr. Alberto Soares, mas, mesmo pressionada pela "notícia"  de que este último se diz portador, não deixa de afirmar a sua diferença, a sua liberdade, a sua autonomia.

Leva longe de mais a sua ousadia, pagando-a com a vida, ao ser assassinada por Carolino.
 

Ana

 

É a mulher que enfrenta o Dr. Alberto Soares, resistindo à notícia "messiânica" de que o professor se diz portador. Na verdade, compreende de imediato que o professor é um ser cheio de contradições e angústias.

Alberto Soares sente-se atraído pela grandeza desta mulher, que o questiona várias vezes, apesar de ela própria também ter grandes problemas. Tem em comum com o professor o facto de ter abandonado a fé, mas não tem necessidade de confessar em público as suas dúvidas, ao contrário do Dr. Alberto Soares.
É portadora de uma sabedoria que seduz o narrador. Mas o "gato preto" que a acompanha parece indicar o sentido de defesa da sua dona contra a notícia do professor.

 

Atingida pela infertilidade, satisfaz o seu instinto maternal adotando os dois filhos do Bailote. Também  a morte de Cristina, que era sua confidente, ilumina-a e descobre o sentido da viça e da morte. Em consequência, reintegra-se na fé inicial e faz parte de um mundo diferente.
 

Cristina

 

Era uma criança admirável, fazendo parte da galeria (romântica) de personagens míticas que nem parecem deste mundo. Aparece ligada indissociavelmente à música, música reveladora de um mundo maravilhoso de harmonia que se contrapõe ao mundo conturbado das outras personagens. O seu nome está ligado a Cristo, logo, ela é a inocência da montanha oposta ao pecado da cidade.

Ser inocente, puro, perfeito, morre fora da cidade, no campo, que era um espaço digno para a acolher. O seu verdadeiro lugar era, entretanto, no céu e daí que se compreenda a sua morte - um ser tão puro tinha de ir para longe deste mundo conspurcado. Quase que nos apetece dizer que ela veio a este mundo por engano!... Recorde-se que ela era um rebento tardio do casal Moura.

 

A sua passagem por este mundo deixou, no entanto, uma cahncela na memória de todos, sobretudo do professor Alberto soares. Efetivamente, a sua música ultrapassa os limites terrenos e faz-se ouvir no silêncio da montanha. O coro do Natal que Alberto Soares escuta na montanha da infância, aquando das férias do Natal, é ainda a voz de Cristina. Subjugado pela força mágica da música e pela imagem idílica de Cristina, Alberto Soares, não crente, como que reza.

 

Madame Moura

 

É a encarnação do convencional, do artificialismo que se manifesta na alta classe social de Évora.

 

A mãe de Alberto Soares

(Susana)

 

Mulher calma, discreta e submissa, mas realizada como mãe e como esposa. É dotada de um olhar "extraordinário de mansidão amargura", que pode fazer lembrar a Pietà, de Miguel Ângelo.

Acabou por se resignar numa vida solitária, encerrada na casa da sua solidão, sendo, entretanto, detentora de uma perfeita sabedoria sobre a morte.

 

 Tia Dulce


Compreensiva para com Alberto Soares, o seu álbum evocará em Alberto Soares um tempo quente da memória. Foi ela a contadora de histórias com que alimentou a fantasia da criança Alberto Soares e, por isso, nunca mais se lhe apagará da memória.

 

As mesdames

 

As mulheres recalcadas dentro dos seus lares e expansivas em meios muito diferentes. São as mulheres dos senhores "feudais", ameaçados pelo professor.
 

  As criadas

 

São, normalmente, o prolongamento daqueles que servem.

 

 

Consulte, ainda, as páginas 338 a 342 do seu manual escolar "Aula Viva", Literatura Portuguesa - 11.º ano.

Publicado por

Joaquim Matias da Silva

 

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