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APARIÇÃO - O universo simbólico

 

Vários são os símbolos em Aparição, ou não fosse esta obra, também ela, muito simbólica, uma obra existencialista. De entre eles, podemos destacar:

 

Elementos simbólicos

Respectiva simbologia

  Montanha

 

 

O simbolismo da montanha é múltiplo: advém da altura e do centro. Se é alta, vertical, se se aproxima do céu, simboliza a transcendência; enquanto centro de numerosas teofanias simboliza a manifestação. Assim, ela é encontro do céu e da terra, morada dos deuses e símbolo da ascensão humana.

A montanha exprime também, por um lado, as noções de estabilidade, de imutabilidade, de pureza; por outro, são vistas como o símbolo da grandeza e da pretensão dos homens que não podem, no entanto, escapar ao poder de Deus.

 

Planície

 

Simboliza o espaço, a terra ilimitada, a imensidão infinita na qual os deuses Uranianos circulam e arrastam as almas para a morte.

 

Sol

 

O sol é, para muitos povos, uma manifestação da divindade. É o símbolo da fecundidade, mas pode igualmente queimar e matar. ( ... ) O sol é fonte de luz, calor e vida.

 

Lua

 

Símbolo dos ritmos biológicos, do tempo que passa, da passagem da vida para a morte, representa, de igual modo, o conhecimento indirecto, discursivo, progressivo, frio.

 

A Lua, astro das noites, evoca metaforicamente a beleza e a luz, na imensidão tenebrosa. Mas sendo esta luz apenas o reflexo do sol, a Lua é apenas o símbolo do conhecimento "reflectido", isto é, o conhecimento teórico, conceptual, racional.

 

A Lua gera, ainda, a chuva e, por isso, é o símbolo da fecundidade. Aliás, ela e as suas quatro fases (7 x 4 = 28 dias) marcam o fecho de um ciclo ovular e o reinício de um outro, um novo começo da Vida.

 

A música e

nocturno n.º 20 de Chopin.

 

A música é de uma importância remarcante para Cristina. Como esta personagem, ainda jovem, ainda pura, a música é, também, o eco da pureza, da verdade original, o eco da alegria e da ternura que  alimentam o presente da escrita ao professor Alberto Soares / Vergílio Ferreira.

 

O nocturno, por sua vez, é uma composição musical dedicada à noite, que suscita um clima melancólico e de interioridade, num tom nostálgico, escuro, nocturno.

 

  A noite

 

 A referência à noite das noites remete-nos para a MORTE: três mortes fora do tempo diegético - pai do narrador, mãe e cão Mondego; três mortes dentro do tempo diegético - Bailote, Cristina, Sofia.
 

  A morte

 

A morte é o fim, que contém em si o gérmen de uma Nova Vida.

 

  A Montanha

 

É o reencontro com a Origem.
 

A aldeia

 

É a revelação da verdade da vida.
 

Casa

 

 Representa a união com a mãe, com a Origem.
 

  Planície

 

Símbolo da paz, da plenitude.
 

  Cidade

 

 É o espelho da angústia, o labirinto onde o narrador se sente aprisionado. Daí a necessidade de se mudar para o

 

  Fogo

 

Simboliza a destruição, o apocalipse, mas também a regeneração e a purificação.

 

 

Publicado por

Joaquim Matias da Silva

 

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