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* Verso branco, livre,
prosaico;
* Irregularidade estrófica;
* Ausência de qualquer esquema métrico, rimático
e melódico;
* Ritmo lento, espraiado, sugerindo calma,
quietude, reflexão, num deslizar vagaroso e
contínuo que se acompanha com agrado.
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* Predomínio do nome;
* Quase ausência de adjectivos e de advérbios;
* Uso frequente das conjunções “e” e “ou” (tal
como acontece na linguagem infantil);
* Vocabulário pobre, predominantemente
abstracto, incolor, discursivo;
* Predomínio do presente do indicativo;
* Repetições e frequentes enumerações;
* Paralelismos e construções quiasmáticas;
* Uso de tautologias (A borboleta é apenas
borboleta / E a flor apenas flor), aquilo que na
poesia de Zen se designa por sono-mama;
* Linguagem simples, familiar, reiterativa,
prosaica, fortemente denotativa e referencial;
* Sobriedade de recursos estilísticos: uso
frequente de comparações e imagens singelas, mas
parcimónia no recurso a metáforas, metonímias e
hipérboles, por exemplo;
* Estilo infantil, espontâneo, instintivo,
ingénuo.
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* Temáticas desenvolvidas
/ ideias preconizadas:
- Objectivismo absoluto;
- Integração e comunhão com a natureza,
-
Apagamento do sujeito face ao objecto (coisificação
do eu),
- Sensacionismo (o Poeta vive de sensações, de
impressões, dando destaque à sensação visual,
logo seguida da auditiva),
- Crença na eterna novidade das coisas (a
diferença é o verdadeiro signo do existir),
- Relevo para o referente, em detrimento da
linguagem, que está eivada de abstraccionismo),
- Epicurismo – carpe diem,
- Aceitação calma do mundo, tal qual ele é: com
alegria e com tristeza, com felicidade e
infelicidade, com riqueza e pobreza (daí que
Caeiro seja acusado de reaccionário,
tradicionalista…),
- Panteísmo sensorial,
- Deambulismo (ele é um poeta pastor),
- Misticismo naturalista,
- A criança é apresentada como o símbolo supremo
da vida.
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