«Olá, guardador de rebanhos,
Aí à beira da estrada,
Que te diz o vento que passa?»
«Que é vento, e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois.
E a ti o que te diz?»
«Muita coisa mais do que isso,
Fala-me de muitas outras coisas.
De memórias e de saudades
E de coisas que nunca foram.»
«Nunca ouviste passar o vento.
O vento só fala do vento.
O que lhe ouviste foi mentira,
E a mentira está em ti.»
s.d.
“O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto
Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas
de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa:
Ática, 1946 (10.ª ed. 1993). - 40.
“O Guardador de Rebanhos”. 1.ª publ. in Athena,
nº 4. Lisboa: Jan. 1925.