|
Ontem à
tarde um homem das cidades
Falava à
porta da estalagem.
Falava
comigo também.
Falava da
justiça e da luta para haver justiça
E dos
operários que sofrem,
E do
trabalho constante, e dos que têm fome,
E dos
ricos, que só têm costas para isso.
E, olhando
para mim, viu-me lágrimas nos olhos
E sorriu
com agrado, julgando que eu sentia
O ódio que
ele sentia, e a compaixão
Que ele
dizia que sentia.
(Mas eu
mal o estava ouvindo.
Que me
importam a mim os homens
E o que
sofrem ou supõem que sofrem?
Sejam como
eu-não sofrerão.
Todo o mal
do mundo vem de nos importarmos uns
[com os outros,
Quer para
fazer bem, quer para fazer mal.
A nossa
alma e o céu e a terra bastam-nos.
Querer
mais é perder isto, e ser infeliz.)
|