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ESTOICISMO

 

(Página ainda em construção)

 

O estoicismo é uma doutrina filosófica fundada por Zenão, que nasceu no séc. III a.

C., em Cítio, na ilha de Chipre. Fundou uma escola, na ágora de Atenas, conhecida como Pórtico. Ora, como “pórtico” se designa em grego stoá, os estudiosos desta escola chamavam-se estóicos.

Os estóicos são materialistas e panteístas. Para eles, tudo o que existe tem corpo, é material, e todos os corpos são unificados por uma espécie de fluido, que á a alma universal do cosmos (Kosmos, termo que em grego significa "harmonia") e se identifica com o próprio Deus, o logos divino - noção que os estóicos apreendem de Heráclito e  desenvolvem. A alma está, então, identificada com este princípio divino, como parte de um todo ao qual pertence. Esta filosofia preconiza a vivência de acordo com a lei racional da natureza e aconselha a indiferença ou apatia (apathea) em relação a tudo o que é externo ao ser.

O homem sábio obedece, pois, à lei natural, reconhecendo-se como uma peça na  grande  ordem  e  propósito  do

universo, devendo para isso manter a serenidade, seja perante as tragédias, seja face às coisas boas. O homem sábio não apreende o seu verdadeiro bem nos objectos externos, mas sim usando estes objectos através de uma sabedoria que não se deixa escravizar pelas paixões e pelas coisas externas.

Segundo esta doutrina de vida é possível encontrar a felicidade desde que se viva em conformidade com as leis do destino que regem o mundo, permanecendo indiferente aos males e paixões, que são perturbações da razão. O ideal ético é, pois, a apatia, que se define como a ausência de paixão, ausência essa que proporciona a liberdade, mesmo sendo-se escravo. De facto, sendo a natureza governada por princípios racionais, há razões para que tudo seja como é. Não podemos desejar mudar isso, pois a nossa atitude perante a nossa mortalidade, ou o que nos parece ser uma tragédia pessoal, deveria ser de serena aceitação. A vida ideal que aspira à liberdade e à paz como bens supremos, consistiria na renúncia a todos os desejos possíveis, aos prazeres positivos, físicos e espirituais; e, por conseguinte, em vigiar-se, no precaver-se contra as surpresas irracionais do sentimento, da emoção, da paixão.

Para se enfrentar o medo da morte, é preciso viver cada instante que passa, sem pensar no futuro, numa perspectiva epicurista do "Carpe diem". Mas a vivência do prazer de cada momento tem que ser feita de forma disciplinada, digna, encarando com grandeza e resignação o Destino de precariedade.

O único bem é o prazer, como o único mal é a dor. Por isso, nenhum prazer deve ser recusado, a não ser por causa de consequências dolorosas, e nenhum sofrimento deve ser aceite, a não ser que se tenha em vista a obtenção de um prazer ou de um sofrimento menor.

A serenidade do sábio não é perturbada pelo medo da morte, pois todo mal e todo bem se acham na sensação, e a morte é a ausência de sensibilidade, portanto, de sofrimento. Nunca nos encontraremos com a morte, porque quando nós somos, ela não é, quando ela é nós já não somos mais.

A doutrina filosófica de Zenão de Cítio afirma, em suma, que o ser humano atinge a plenitude e a felicidade quando abandona todas as paixões terrenas, as contrariedades, os aborrecimentos e desassossegos. Para Zenão, a única forma de viver sem essas contrariedades é viver em ataraxia ou apatia, ou seja, abandonado ao destino, impassivamente, nada receando e nada esperando.

 

Apesar de compartilhar diversos conceitos básicos da filosofia de Epicuro de Samos, Zenão e o estoicismo em geral divergem do epicurismo por entender que a virtude, e não o prazer, constitui o bem supremo. Além disso, consideram que o princípio chave do universo é a lei racional da natureza e não o movimento aleatório dos átomos.

 

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Em relação a Ricardo Reis e estas temáticas, este heterónimo pessoano procura o prazer nos limites do ser humano face ao destino e à brevidade da vida. Faz a apologia da indiferença solene diante do poder dos deuses e do destino inelutável. Considera que a verdadeira sabedoria de vida é viver de forma equilibrada e serena, "sem desassossegos grandes", "Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos./ Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio./ Mais vale saber passar silenciosamente/ E sem desassossegos grandes.".

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O epicurismo e o estoicismo têm como característica comum garantir ao homem o bem supremo, a serenidade, a paz, a apatia.

 

 

Publicado por

Joaquim Matias da Silva

 

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